Amazónia: Canto da Selva Ferida

12/11/2025 Não Por Hernani de Lemos Figueiredo

Amazónia:  Canto da Selva Ferida

– Brevemente disponível em eBook –

Há 25 anos, tive a oportunidade de visitar a Amazónia, uma experiência que ficou gravada na minha memória. Integrado no “Projeto Heranças Portuguesas na Amazónia”, entre os dias 27 de agosto e 12 de setembro de 2000, testemunhei a riqueza cultural e natural desta região. Hoje, ao relembrar essa viagem, celebro não apenas as descobertas e os encontros que tive, mas também a resiliência e a hospitalidade do povo amazónico. As tradições e heranças portuguesas continuam a ser uma parte vital da identidade da Amazónia, e é com grande emoção que recordo os momentos inesquecíveis que vivi lá.

 

Apresentação

Este  poema  é  uma  epopeia  contemporânea,  escrita  em decassílabos e inspirada no estilo de Luís de Camões, dedicada aos povos da floresta – que resistem em silêncio -, à memória viva que  dança,  cultiva  e  canta,  e  à  esperança  que  arde  mesmo quando tudo parece cinza. É um canto épico da Amazónia, da sua beleza,  da  sua  dor  e  da  sua  esperança.  É  uns  Lusíadas  da floresta, onde o herói não é o viajante, mas o povo que resiste, dança, cultiva e sonha.

A obra entrelaça mito, memória, denúncia e esperança, com um tom elevado e uma cadência firme, evocando a tradição clássica da  poesia  épica  portuguesa. A  estrutura  segue  o  modelo camoniano, com invocação, narrativa, digressões morais e um fecho  profético.  O  eu  lírico é  simultaneamente  viajante, testemunha e cantor, e a selva torna-se protagonista de uma luta entre a beleza e a destruição, entre o povo e o poder, entre o canto e o esquecimento.

Tal como Camões canta a viagem de Vasco da Gama, aqui narra-se  uma  jornada  amazónica, não  marítima,  mas  fluvial  e terrestre, espiritual e social; tal como Camões denuncia os vícios da corte e a corrupção do poder, aqui denuncia-se a exploração moderna, a hipocrisia institucional e a desigualdade. Como em

Camões, aqui igualmente há uma tensão entre o ideal e o real, entre o sonho e a dor.

Aqui, a “Amazónia é tratada com uma reverência quase mítica, e ecoa o tratamento camoniano da Pátria e do mar, onde a natureza é vista como uma entidade maternal, protetora e generosa. A “Mãe-Grande” simboliza a fonte de vida e sustento, um ventre fértil que nutre e abriga uma biodiversidade incomparável.

Do deslumbramento inicial à chegada, diante da selva e da sua força e  dos  primeiros  encontros  com  o  povo,  à  Mitologia  e História, com as amazonas, a sua rainha Conori e a origem mítica da  Amazónia; da vivência  humana,  com o  povo,  o  menino,  o caboclo, a dança e a dor, à denúncia social, como a corrupção, o garimpo, o desmatamento e a injustiça; da profecia e esperança com a selva renascente e o povo como seu guardião, a um epílogo elegíaco, com o pranto, a memória e o canto como eternidade.

Ao longo de 360 versos (organizados em 8 Cantos e 45 Estrofes) procurei narrar uma jornada lírica e ética pela Amazónia — não como mero cenário natural, mas como entidade viva, histórica e espiritual. Também tracei uma analogia com os Lusíadas, sobretudo alguns aspetos de contacto e, até, um “encontro” entre o Adamastor camoniano e alguns deuses amazónicos. Foi um exercício lúdico com as palavras em versos  decassilábicos heroicos, a  tentar  aproximar  àquela sonoridade que só o Poeta consegue.

 

O título

Quanto ao título (Amazónia:  Canto da Selva Ferida), procurei que operasse como a união do espaço físico à dimensão simbólica: “Amazónia” é o  sujeito  e  cenário, “Canto” evoca  a  tradição  épica  e  lírica, “Selva  Ferida” sintetiza  o  drama  ecológico,  social  e  histórico  que atravessa o poema.

 

Organização dos Cantos

Canto I

A Chegada e o Espanto (Estrofes 1-3)

A chegada a uma  terra  desconhecida, marcada pelo espanto e  fascínio  diante  da  exuberância  da natureza amazónica e da vastidão do território. Há uma mistura de enlevo e receio pelo desconhecido.

 

Canto II

 As Amazonas e a Origem (4-7)

Este canto explora  a  lenda  das  Amazonas,  mulheres guerreiras que governam a região, e reflete sobre a origem mítica  do  povo  e  da  terra,  estabelecendo  uma  ligação entre história e mito.

 

Canto III

Os Mitos Amazónicos (8-21)

É  um  canto  rico  em  histórias  mitológicas  locais, descrevendo  criaturas,  deuses  e  espíritos  da  floresta, reforçando  a  dimensão  simbólica  e  cultural  do  território amazónico.

 

Canto IV

Encontro do Adamastor com a Mitologia Amazónica (22-29)

O  lendário  Adamastor  confronta-se  com  a  mitologia  da Amazónia, simbolizando o encontro entre o explorador e as forças  míticas  da  terra,  e  refletindo  sobre  os  perigos  e enigmas do desconhecido.

 

Canto V

O Povo e a Emoção (30-34)

  O foco  volta-se  para  os  habitantes  da  região,  as  suas emoções, costumes e modo de vida.

 

Canto VI

A Corrupção e a Dor (35-39)

Este  canto  aborda  a  decadência  moral  e  os  sofrimentos provocados pelo contato com o poder, o neocolonialismo e a ganância, mostrando as sombras da experiência humana na região.

 

Canto VII

A Profecia (Estrofes 40-42)

Concluí com uma profecia, misturando esperança e  mistério,  encerrando  a  narrativa  de  forma  poética  e simbólica,  e  deixando  uma  reflexão  sobre  o  futuro  da Amazónia e do seu povo.

 

Canto VIII

Canto Final (Estrofes 43-45)

O poema, no seu todo, descreve a selva amazónica como um lugar onde residem seres quiméricos que vão para além da fantasia. Essas lendas são vozes que trazem luz e poesia ao mundo, enraizando-se nos sonhos de quem as ouve. Elas não são apenas histórias contadas, mas sim a essência da criação, refletindo a força e a dor do povo. A selva amazónica é um lugar onde o sobrenatural e a fé humana se encontram, criando um Canto mágico e encantado.

 

Hernâni de Lemos Figueiredo nasceu em Alenquer (Portugal) e construiu a sua trajetória entre a palavra e o mundo. Com formação em Ciências da Comunicação e Programação Cultural, e movido por inspiração humanista e espírito inquieto, percorreu a Amazónia em busca de histórias vivas, gestos de resistência e vozes silenciadas. A sua poesia é marcada por rigor formal e profunda consciência ética.

Partilhe este artigo

  Olá, muito obrigado por visitar este espaço.

Espero que a sua leitura tenha sido do seu agrado.

Se for o caso de nos deixar agora, desejamos que volte muito em breve.

Até lá… e não demore muito.