Caminhos de Fátima: Uma boa razão para ir ao encontro do país real

Caminhos de Fátima: Uma boa razão para ir ao encontro do país real

01/06/2000 0 Por hernani

“CAMINHOS DE FÁTIMA”

Uma boa razão para ir ao encontro do país real

Numa estratégia “estradas para os carros e trilhos para os peregrinos”, estes terão oportunidade de descansar na Quinta do Campo e de visitar a Quinta da Condessa e a Quinta de Santo António

Vila Nova da Rainha - Rio Alenquer e Rio Ota

Vila Nova da Rainha – Rio Alenquer e Rio Ota

Em Valada, concelho do Cartaxo, no passado dia 9 de Maio, pelas 15,30 horas, foi apresentado o “Caminho do Tejo”, o itinerário escolhido para iniciar o projecto “Caminhos de Fátima”, ideia do Centro Nacional de Cultura para a recuperação dos caminhos pedonais que servirão os peregrinos de Fátima.
Helena Vaz Silva, Presidente do Centro Nacional de Cultura, diz que “Fátima é uma ideia forte para qualquer português: para os milhares que se põem a caminho, no 13 de Maio, e para todos os outros que, não indo lá, não sabendo sequer rezar, gostam de ter nascido num torrão eleito pelos altos céus. O País interior é também, por sua vez, um mito persistente no nosso imaginário: adiamos sempre o acto de percorrê-lo, mas saber que ele existe enche-nos de satisfação”.
Um dos responsáveis técnicos do projecto, o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, entende que “para além do sentido religioso, pretende dar-se a conhecer paisagens e valores edificados que, por não serem visitados com frequência, estão sujeitos à ruína do tempo e ao saque dos homens”.
D. Serafim Ferreira e Silva, bispo de Leiria/Fátima entende que “a peregrinação ou o turismo religioso é para o caminhante ou viajante o acto mais rico da interdisciplinaridade cultural e relacional. Afirmou também que “quem vai por ele (caminho), tem a oportunidade de não ir depressa, de partilhar a natureza e o património, pelo que devemos privilegiar estes caminhos em relação aos normais, tão perigosos”.
Na cerimónia inaugural deste troço-piloto, a que também assistiram 20 peregrinos, que tinham saído de Cascais no domingo anterior, Monsenhor Luciano Guerra, reitor do Santuário de Fátima, António Pinto da França, embaixador de Portugal na Santa Sé, presidentes das Câmaras do Cartaxo e de Alcanena e autarcas dos nove concelhos abrangidos pelo “Caminho do Tejo”. A Câmara de Alenquer esteve representada por Luis Rema, Vereador da Cultura.
D. Manuel Pelino, bispo de Santarém desejou que “ao abençoar este caminho para Fátima, que aproxima três dioceses e nove concelhos, espera que ele também aproxime as pessoas de Deus e os peregrinos uns dos outros.
José Vitorino, em nome dos administradores da Bonança e Grupo BCP, disse que “esta obra ocorre num momento histórico em que cada ser humano tem um espaço cada vez mais pequeno numa economia cada vez mais global e, mais do que isso, num mundo em que virtualmente tudo está cada vez mais perto, mas em que cada vez estamos mais longe uns dos outros, na dimensão humana do coração, da alma e dos afectos”; por sua vez, D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, disse “numa altura em que a Europa foi retalhada por tantos caminhos que não são de peregrinação, estamos a descobrir a dimensão espiritual de novos caminhos da fé”.
“Caminhos de Fátima” é composto por quatro itinerários: “Caminho do Norte”, a apresentar em Maio de 2001; “Caminho do Leste”, a apresentar em Maio de 2002; “Caminho do Litoral” a apresentar em Maio de 2003 e “Caminho do Tejo”, agora dado a conhecer e que estará plenamente operacional a 13 de Outubro de 2003, se tudo correr bem.
“Caminho do Tejo”, no total de 129 km. Iniciado no Parque das Nações, em Lisboa, atinge Fátima em cinco etapas bem delineadas: primeira etapa, na distância de 29 quilómetros, liga Lisboa a Vila Franca de Xira; segunda etapa, na distância de 17 quilómetros, liga Vila Franca de Xira a Azambuja; terceira etapa, na distãncia de 30 quilómetros, liga Azambuja a Santarém; quarta etapa, na distância de 30 quilómetros liga Santarém a Monsanto e a quinta etapa, na distância de 23 quilómetros, liga Monsanto a Fátima.
“Caminho do Tejo” passa pelo concelho de Alenquer, precisamente no segundo dos três troços em que se divide a segunda etapa e que liga Vala do Carregado a Vila Nova da Raínha. Numa estratégia “estradas para os carros e trilhos para os peregrinos”, estes terão oportunidade de descansar na Quinta do Campo e de visitar a Quinta da Condessa e a Quinta de Santo António.

Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2000)

diretor do Jornal D’Alenquer

in Jornal D’Alenquer, 1 de Junho de 2000, p. 21

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