Entrevista a… Fernando Avellar Gaspar, Chefe do Agrupamento 513

Entrevista a… Fernando Avellar Gaspar, Chefe do Agrupamento 513

11/04/2019 0 Por hernani

Entrevista a… Fernando Avellar Gaspar, Chefe do Agrupamento 513

“Quanto mais nos entregamos a um ideal de vida nós podemos mudar o mundo; mas não é querer sozinho mudar o mundo, mas sim mudar o mundo com os outros.”

Fernando Avellar, Chefe do Agrupamento 513 de Alenquer
Porque é escuteiro? Em 1976 o que havia em Alenquer era os grupos da Vila-Alta, da Vila-Baixa e do Areal, e isso para mim era muito pouco; também havia o ténis de mesa e o hóquei em patins, mas eram atividade muito limitativas e eu gosto da Natureza. Entretanto apareceu o escutismo e aderi logo, para ver como era. Essencialmente foi isso: como tinha atividades fui ver o que dava, pois a atividade do escutismo atirava mais para a vida ao ar livre, onde não havia uma competição especifica.

Já tinha ouvido falar do movimento escutista? Quando o descobriu? Foi precisamente nessa altura que o descobri.

Como é que chegou a chefe do Agrupamento 513? Em 1988 já era dirigente há cinco anos e candidatei-me a Chefe do Agrupamento, pois com a experiência adquirida como dirigente, nesse período, achei que tinha umas ideias para o Agrupamento e que tinha possibilidades de as implementar. Além disso, aqui no Agrupamento há um acordo pré-concebido de que quando não há uma candidatura a Chefe do Agrupamento, à partida todos os chefes são candidatos. É necessário as pessoas estarem sempre disponíveis se não houver candidaturas.

Quais são as tarefas do Chefe do Agrupamento? É o coordenador e responsável pedagógico do movimento a nível local, é o representante do Agrupamento nas instâncias superiores, é o guia de patrulha de todos os dirigentes, ao fim e ao cabo, como acontece com os miúdos, é o guia da equipa.

O que é ser um bom escuteiro? Essa pergunta dá pano para mangas, e tenho a impressão de que há muita gente que nem sequer fez o compromisso de escuteiro e até é um bom escuteiro. Mas, essencialmente é um bom escuteiro quem for um cidadão responsável, aquilo a que nós chamamos um bom cidadão, não só no aspeto político mas também no aspeto social aspeto de saber transmitir, saber preservar os valores, saber estar e saber ser “homem”; essencialmente é isto, e um miúdo quando entra para o escutismo uma das coisas que vai aprender é como ser um bom cidadão.

Um miúdo de sete anos tem a sua quota-parte de responsabilidade; não é muito grande, mas tem a responsabilidade inerente à sua idade; e a partir daí tudo é uma progressão relativamente a responsabilidade-liberdade. À medida que vai crescendo vai assumindo mais responsabilidades. Neste aspeto, é a “escola” que nós lhes proporcionamos.

Qual é o “momento solene” de um escuteiro? É a primeira promessa. É a parte em que assumimos em consciência um compromisso, essencialmente um ideal de vida.

E o seu momento mais marcante enquanto escuteiro? Como escuteiro tive momentos, em atividades, que foram marcantes. Todos eles são marcantes, ao fim e ao cabo, e não é só “aquele” “fogo-conselho”; como todos os momentos são marcantes, não gostaria de distinguir nenhum em especial, pois há pequenas coisas que nos marcam de igual maneira.

Mas, agora como dirigente, um momento marcante é quando chegamos de uma atividade e vejo os miúdos cansados, completamente estafados, alguns deles até com um arranhão ou outro, e ouvi-los dizer “pá, quando é que temos outra?”. Ver os seus sorrisos de satisfação de terem acabado a atividade, sensibiliza-me bastante; sinto-me bem, pois consegui proporcionar àqueles miúdos algo de importante que será um padrão para todos eles. No fim de conta é isto que me marca.

E o seu momento menos bom?  Acontecem muitas vezes. Por exemplo, levantar campo por este estar impraticável, para mim é a pior coisa que me pode acontecer; e eu já levantei campo quatro vezes. É dececionante, marca-nos muito pela negativa.

A primeira vez que levantei campo foi na Quinta de Abrigada. Aconteceu um dilúvio que não dava hipótese nenhuma; e é tão dececionante, porque toda aquela expectativa vai por água abaixo. E isso é muito marcante.

Na sua atividade é difícil ter verdadeiros “momentos escutistas” (a tenda, o fogo, os miúdos…)? Em termos de vivência escutista, é fácil pois, por exemplo, numa reunião com uma patrulha consegue-se viver um “fogo-conselho” espetador; será, talvez, o momento mais alto naquele acampamento. Mas existem muitos outros momentos que podem ser “momentos escutistas”. Aliás, num acampamento, a maior parte das coisas, é tudo verdadeiramente escutista, pois o acampamento é a actividade por excelência do movimento escutista. Hoje começa a ser complicado com as novas leis, começa a ser difícil um acampamento de verão: não podemos fazer fogo, não podemos usar gás, não podemos fazer uma série de coisas que começa a ser extremamente limitado podermos organizar determinadas atividades. Mas não pararemos; surgirão maneiras de dar a volta ao assunto e continuarmos a fazer escutismo.

O espírito do método escutista é suficiente para garantir a qualidade do escutismo praticado nas unidades locais? Não; depende das pessoas. O método é importante, mas quem aplica o método?

Como espera conseguir manter o espírito escutista em todos os elementos? O espírito escutista mantém-se no Agrupamento essencialmente porque ao apresentar e incutir este ideal a cada miúdo, isto leva-os a aderirem voluntariamente a ele, ou não aderirem. Se eles aderem o espírito mantém-se e renova-se em cada miúdo. E em todos eles – e hoje tenho dirigentes que estão de igual para igual comigo, que foram “meus” exploradores, pois quando eu era chefe de grupo eles eram miúdos e hoje são eles, os dirigentes e os chefes de grupo – o espírito mantém-se e transmite-se de uns para os outros, desta maneira. Eles aderem ao mesmo ideal, o ideal vai-se renovando, vai-se adaptando ao dia-a-dia que nós vivemos, e esse ideal é transmitido por cada momento, por cada ação, por tudo!…

Alguma vez receou não o conseguir? Existe sempre esse receio. Este movimento para funcionar não depende só de mim, mas sim de toda uma equipa, e se muitas vezes é considerado, por algumas pessoas, como um “hobby”, a verdade é que ocupa imenso tempo, e nem toda a gente tem a mesma disponibilidade para dar ao escutismo. É verdade se se der quarenta-por-cento é bom, se se der vinte-por-cento também o é; é o que cada um pode dar, e isso é importante. Mas muitas vezes o receio que tenho é que as pessoas possam ficar limitadas na disponibilidade para o escutismo. E isso leva-me a hesitar, algumas vezes, se deva ou não avançar, pois muitas vezes são projetos muito ambiciosos que em termos de disponibilidade de tempo, muitas vezes são complicados; e sei que esta preocupação é compartilhada por todos os dirigentes.

Julga essencial a existência desse espírito escutista? Completamente, pois se for só o Chefe de Agrupamento a assumir o “espírito escutista” isto não funciona. Se a minha equipa não aparece como é que ela faz funcionar todas as outras equipas? Ao fim e ao cabo dependemos todos uns dos outros, e se a cadeia for quebrada, cria-se aqui um vazio que, ao interromper a vivência escutista, começa a dar problemas no Agrupamento.

Como é que os miúdos poderão fazer atividades se não há dirigentes? Isso cria a desmotivação dos miúdos, e nós só somos Chefes porque há miúdos. Havendo miúdos que queiram viver o escutismo nós podemos ajudá-los a crescer, que é essa a nossa função. E essa função implica disponibilidade, formação da nossa parte, e adaptação às novas realidades de educação e de pedagogia que nós temos que ter.

O que é que o escutismo trouxe à sua vida? Acabei por abraçar um ideal de vida com o escutismo. Aprendi a valorizar os outros e a valorizar-me a mim mesmo, como indivíduo. Através do escutismo tento que a nossa sociedade, o nosso mundo seja um pouco melhor com o meu modesto contributo.

O que é para si um Jamboree? Para mim basicamente é uma reunião, ao mesmo tempo que é uma grande festa e um grande espaço de convívio, mas essencialmente é um acampamento de escuteiros, onde existe sempre a hipótese da troca de experiências quando acampamos com agrupamentos de outros países.

Um Jamboree pode ser um espaço de partida para grandes atividades; é que somos escuteiros e não nenhuma sociedade fechada ou secreta, e constituímos um grupo que também convive com as outras pessoas. E isso é importantíssimo.

Quer dar um exemplo duma dessas trocas de experiências? Em 1996 fui, com o Agrupamento 513, ao Jamboree “Pan-Americano”, na Guatemala, e nesse acampamento encontrei dois italianos de quem me tornei amigo. Com o desenvolvimento da conversa potenciou-se a vinda a Portugal de um Agrupamento italiano, por alturas da Expo98. Estiveram cá 12 dias e logo aí ficou estabelecido o intercâmbio e a ida a Itália do Agrupamento 513, o que realmente se concretizou no ano seguinte.

Quais as aspirações do Agrupamento 513? Começando pela maior, que já se arrasta há algum tempo, que é uma nova sede. A nossa está num espaço da paróquia, antiquíssimo, e cuja renovação e restauro nunca foi feito. Tem muitas limitações e tem muita gente a usar o mesmo espaço. A nossa limitação é exatamente essa. Não podemos receber mais miúdos, e aqueles que atualmente temos vivem num espaço muito limitado.

Precisamos de um espaço maior, que tenha as condições para que os miúdos se possam sentir bem. Os miúdos têm que ter um espaço físico para ser gerido por eles, porque é deles, é o seu cantinho. Aliás, é o canto de patrulha, é o canto de equipa, onde eles neste momento têm as suas coisinhas, as suas recordações, a sua vida em comum dentro daquela equipa. Portanto, para termos este espaço físico, precisamos de uma sede própria.

Porquê a necessidade de um “Patrono”? E porquê Damião de Goês?A necessidade do Patrono é para ligar os jovens a uma figura que, com o exemplo da sua vida, tenha marcado a sociedade. E a escolha de Damião de Goes, em 1976, primeiro foi por ser um filho da terra, depois porque, provavelmente, naquela altura achávamos que ele estava esquecido; é que tirando o Externato Damião de Goes nada mais havia que se referisse a ele. Só muitos anos depois é que apareceu a estátua, em Alenquer, em sua homenagem.

Raramente se ouvia falar de Damião de Goes, e para transmitir aos miúdos quem tinha sido o príncipe dos humanistas portugueses, o Agrupamento 513 organizou uma exposição itinerante sobre este alenquerense ilustre do século XVI; e penso que mais ninguém a levou para fora do concelho.

Na sua intervenção, na sessão solene do 30º. Aniversário do 513, disse que o agrupamento tem tido um “crescimento condicionado”, soando essa sua afirmação como um lamento; julga que esse crescimento poderia ter sido mais evidente? Voltamos ao aspeto da sede. Não podemos crescer mais porque não temos espaço físico para mais. Em termos de efetivos, neste momento há dirigentes suficientes para ter dois agrupamentos a funcionar. E onde é que vou pô-los? Mais encavalitados do que já estão hoje é impossível.

Também disse que “o escutismo é um método e um projeto educacional que pretende o desenvolvimento integral do ser humano, e que atinge o sucesso quando um jovem deixa o movimento com uma atitude positiva perante a vida adulta”. Esse é o objetivo primordial da escola; não estará aqui o movimento escutista a substituir-se ao estado? Esse objetivo cabe à escola, mas também à família e a todos nós. Penso que o Agrupamento pode dar esse contributo, e damo-lo; é esse o nosso objetivo, e lutamos por ele, que é formarmos verdadeiros homens e mulheres.

Julgo que temos sucesso quando um jovem sai do Agrupamento e leva consigo uma atitude positiva, objetivos de vida, métodos de trabalhar em equipa, uma outra ideia em relação ao seu semelhante, à natureza, e à posição que pode ou não ocupar na sociedade; e, sobretudo, a capacidade de escolher. É neste aspeto que muitos jovens, e nós temos alguns em Alenquer, que descuraram a sua formação neste aspeto, de saber escolher; é isso essencialmente. E escolher pela positiva, julgo que é essencial.

Se transferíssemos para o sistema de ensino alguns dos métodos escutistas, hoje a escola estaria melhor? Sem dúvida. Aliás isso já foi implementado. O trabalho em pequenos grupos, não é invenção escolar, é um método que tem 100 anos. Quer dizer, não descobriram nada de novo. Mas eu penso que a Educação tem muito a ver com a maneira como se trabalha com os jovens. E hoje não se pode aplicar a um jovem o método de ensino de há 50 anos atrás. Assim como o escutismo evoluiu, a Educação também evoluiu, em termos de métodos pedagógicos.

Também diz que o escutismo “possui as competências para o fazer de uma forma construtiva afirmativa e responsável”, referindo obviamente ao método educacional dos jovens e ao seu “papel na sociedade, de uma forma exemplar”, e que “ao longo dos anos, o que se verifica em Alenquer é que, embora muitas vezes por opção própria, o não querem notar”. Concretamente quer dizer o quê e quer chamar a atenção de quem? Eu gostaria de chamar a atenção, de uma maneira geral, de todas as pessoas. Eu penso que mercê de uma série de brincadeiras que se passaram há muitos anos, provavelmente o movimento escutista nunca foi encarado como organização com o verdadeiro valor que realmente tem.

Penso que aqui em Alenquer, onde as organizações, por muita boa intenção que os seus promotores tenham, têm sempre um tempo tão curto de vida, e onde as suas boas intenções não passam muitas vezes disso mesmo, já é altura dos Alenquerenses valorizarem a importância e o peso dos escuteiros; muitos pensam que é só um “hobby”.

É que, nós escuteiros, conseguimos, com sucesso, contrariar esse malfadado “desígnio” de escassa perenidade de grande parte das instituições criadas aqui em Alenquer. E conseguimo-lo de muitas maneiras, mas sobretudo devido ao Método Escutista, adaptado à realidade local, como uma organização democrática e liberal, e onde toda a gente tem o seu papel definido e ao mesmo tempo interventivo.

Desde o mais jovem escuteiro até ao mais velho, toda a gente tem o seu papel e a sua competência. Depois, quando saem do movimento escutista, os nossos jovens levam para a vida pública qualquer coisa de diferente e têm a possibilidade de transmitir aos outros como é o trabalhar dos escuteiros. É que hoje, cada vez mais, o próprio empregado tem uma atitude positiva na organização empresarial, e é parte integrante da empresa. É isso que a gente ensina: trabalhar em equipa.

Muitas vezes a componente política responsável pensa mais em instituições cuja função não é a mesma que a nossa: nós educamos os jovens. Provavelmente a ginástica é muito importante num determinado clube, mas quer dizer, não é mais importante; poderá ser diferente. É frequente escalarem-se as instituições pela sua atividade; e o papel que nós, escuteiros, podemos desempenhar na nossa comunidade, nas várias organizações e nas mais diversas vertentes?

De onde provêm os fundos necessários para as atividades do agrupamento? Principalmente dos pais e das diversas campanhas de angariação de fundos que nós organizamos, como na venda de porta-chaves, de “pin’s”, etc., etc.. A autarquia também subsidia algumas coisas, mas não mais de dez por cento do orçamento do Agrupamento; as entidades privadas têm-se mostrado disponíveis a apoiar-nos, mais do que a própria autarquia, como por exemplo na Campanha de Natal. E ainda bem que existem as diversas entidades privadas que nos apoiam quando delas necessitamos.

Mas a Campanha de Natal tem um cariz essencialmente social e de serviço público, e não deveria ser suportada pelo setor privado!… Quantas instituições é que existem a nível nacional que fazem exatamente este nosso trabalho? E graças a Deus que aqui em Alenquer existem três ou quatro instituições privadas que suportam esta campanha, e que superam, assim, a ausência total do apoio público. A componente social é demasiado onerosa para ser vista como uma atividade importante, que o é, mas que não tem a visibilidade suficiente.

A grande ideia formulada por Baden-Powell era a criação de uma fraternidade mundial escutista, onde os escuteiros seriam “embaixadores da amizade, que se dedicassem a criar amigos e a abater as barreiras erguidas pela cor, credo e classe social”. Se é pacifico quanto às questões da classe social e da cor, como analisa a existência de vários agrupamentos de “scouts” no concelho de Alenquer, e ainda por cima de recrutamento de cariz diferenciado? Quanto a essa Fraternidade Mundial Escutista, ao fim de 100 anos nós já conseguimos perspetivar o que vão ser os próximos anos em relação ao escutismo. E o escutismo tem, ainda, e por incrível que pareça, uma atualização muito constante. E consegue, ainda, responder aos jovens quanto à necessidade de convívio, de amizade, e isso continua a ser atual. Estou convencido de que vai ser nas próximas décadas um instrumento valioso para a aproximação das pessoas, quer elas sejam negras, amarelas ou vermelhas; independentemente da cor julgo que o escutismo consegue aproximar essas pessoas.

Em termos de vivência escutista, as diferenças são sempre esbatidas. E como? Pela atitude das pessoas. No nosso concelho temos dois casos: uma associação que não é católica, e uma outra associação que é católica, e em igualdade no número de agrupamentos. Em termos de vivência não sei como é a desses agrupamentos não católicos, pois não existe uma aproximação; Só existem contactos com o Agrupamento 514, do Carregado, também de inspiração católica.

Mas BP ao fundar o movimento escutista não idealizou uma evolução separada, tanto para estirpes ou castas sociais, como para credos diferenciados!… Em termos de credos, julgo que se torna muito complicado quando existem pessoas de várias religiões. Num Jamboree consegue-se compreender isso muito bem, pois existem diversos espaços onde cada pessoa pode praticar a sua religião, mas em termos de vivência num agrupamento, se houver elementos de várias religiões, torna-se muito difícil de gerir.

O Agrupamento 513 tem escuteiros não-católicos? Aqui no nosso agrupamento, todos os escuteiros são católicos, embora o grau de catolicismo possa ser diferente de escuteiro para escuteiro. E neste aspeto conseguimos progredir em termos de vivência espiritual, e no objetivo do caminho para Deus; completamente diferente seria se aqui estivem pessoas que não fossem católicas.

Qual o futuro do escutismo católico em Alenquer? Penso que continua a ter pernas para andar. Tem pessoas, tem jovens, portanto julgo que pode singrar e continuar a ser uma alternativa para os jovens de Alenquer.

Qual poderá ser o contributo do escutismo de Alenquer para o movimento escutista nacional? Com a nossa modesta presença conseguimos dar algum contributo, até pelas nossas atividades com os outros escuteiros de todo o país. E as nossas atividades têm servido para troca de experiências com os outros agrupamentos. Assim como nós aprendemos nessas atividades, também podemos transmitir alguma da nossa experiência.

E, devido a esta interação, o escutismo nacional também tem um pouquinho de nós.

Que papel poderá ter o movimento escutista nacional no desenvolvimento do movimento escutista nos países de língua oficial portuguesa? É importantíssimo. Todos os escuteiros dos PALOPS têm sido apoiados pelo CNE. O papel importante aqui é criar um espaço onde os jovens desses países possam ter a alternativa de fazer alguma coisa de diferente, em que a sua própria formação seja um escutismo da educação pela ação, o saber ser, o saber estar e o saber viver.

Que desafios prevê para o futuro do escutismo mundial? Eu penso que aí é o desafio do homem perante a sociedade. A sociedade evolui e o escutismo também evolui. Nós, Portugal, temos sido modelo a nível europeu; o nosso “Rover Way”, que tivemos cá há dois anos, serviu de modelo para as atividades dos caminheiros na Europa. Nós, a nível mundial, até podemos dizer que o escutismo português tem capacidade.

Voltando ao mesmo: se as pessoas quiserem, nós temos as ferramentas indicadas para que o escutismo possa ser alguma coisa que se dê aos jovens para eles serem figuras de proa.

Qual a importância das celebrações do centenário do escutismo? Voltando ao início da nossa conversa, o “Compromisso do Escuteiro” é o mais importante; o centenário é um marco, assim como o nosso aniversário também é um marco. A nível local é onde o escutismo tem visível a parte importante do desenvolvimento. Por isso, penso que deveríamos assinalar o Centenário aqui em Alenquer, até pelos nossos 30 anos, de maneira a lembrar que os escuteiros também contribuíram para que a nossa sociedade, a nossa comunidade alenquerense, seja diferente de que se não tivesse havido escutismo.

O centenário a nível mundial é importantíssimo, pois o movimento escutista congregou milhões de jovens. Só em Portugal temos 80 mil jovens escuteiros, no ativoa.  Em Portugal, quantas pessoas já passaram pelo movimento escutista?

No seu entender quais deverão ser os eixos estratégicos dessas celebrações? A divulgação do escutismo é importante, por isso há que continuar a manter o movimento escutista aberto e independente de qualquer cor politica, seja em que país for; há que continuar a ser uma atividade não governamental, liberal e democrática, onde os jovens possam realizar-se pessoalmente e viabilizar os seus sonhos e objetivos para uma vida melhor. E, como objetivo principal, uma fraternidade onde haja paz e onde as pessoas se consigam entender pela via do diálogo.

Baden-Powell disse aos escuteiros: “procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes e quando vos chegar a vez de morrer, podeis morrer felizes.” Qual é o seu sentimento para quando se aproximar o momento de deixar o movimento escutista? Quando um dia deixar este movimento, vou ficar sempre com a sensação de que anda podia ter feito mais. Há sempre qualquer coisa mais que nós podemos dar, por muito pouco que seja. Penso que o BP nessa frase foi extremamente feliz, e até em termos políticos é essencial. Se os nossos políticos tivessem esse objetivo!…

Quer deixar uma mensagem para os escuteiros de hoje? A minha mensagem é muito simples. Só gostava de lhes dizer que é bonito viver este ideal. Quanto mais nos entregamos a um ideal de vida – e pode mesmo até nem ser um ideal tão escutista assim; é preciso é que seja um ideal em que cada um de nós acredite em si próprio, em que cada um de nós acredite que pode ser tudo – nós podemos mudar o mundo; mas não é querer sozinho mudar o mundo, mas sim mudar o mundo com os outros.

PERFIL

Nome: Fernando Avellar Gaspar

Naturalidade: Alenquer

Nascimento: 1 de abril de 1961

Estado: casado com Graça Maria Avellar Gaspar, também escuteira

Filha: Sara Isabel R. Avellar Gaspar (18 anos), também escuteira

Habilitações Literárias: 12º. Ano

Profissão: Controlador de Tráfego Aéreo na Força Aérea

Posto: Sargento-Ajudante

Percurso na Força Aérea:

Admissão: 8 de junho de 1979

Base Aérea 2 (Ota)

Base Aérea 5 (Monte Real)

Base Aérea 4 (Lajes)

Base Aérea 2 (Ota)

Aérodromo de Manobra 1 (Ovar)

CFTMFA (Ota)

Base Aérea 6 (Montijo)

Base Aérea 5 (Monte Real) Atual.

Percurso nos Escuteiros:

Admissão: 1976

Promessa: 5 de junho de 1977, na Igreja de São Francisco.

Explorador: de 1977 a 1978.

Pioneiro: de 1978 a 1980.

Caminheiro: de 1980 a 1983

Dirigente: desde 1983.

Chefe Grupo Explorador: de 1983 a 1986 e de 1987 a 2000

Chefe Grupo Pioneiro: de 1986 a 1987

Chefe de Clã: de 2002 a 2003

Chefe do Agrupamento 513, desde 1988.

Chefe Núcleo Solarius, desde 2002

Reuniões internacionais: Suiça, Guatemala, Itália e Escócia

Expedições: Rio Guadiana, Rio Mondego, Rio Douro, Rio Minho e Rio Lima

Acampamentos nacionais: Ílhavo, Palheirão, Sesimbra e Azambuja

Acampamentos internacionais: X Panamericano na Guatemala

Formação Escutista como Animador:

CIP – Curso Introdução Pedagógica

CAP – Curso Aprofundamento Pedagógico

CAF – Curso Formador

CDF – Curso Diretor Formação

Condecorações: Cruz S.º Jorge 1.ª Classe / Ouro.

Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2006)

Director do Jornal D’Alenquer

in Jornal D’Alenquer, 21 de outubro de 2006 online

Parte integrante da

Grande Reportagem do 30.º Aniversário do Agrupamento 513

Agrupamento 513 de Alenquer (em 2006)

Última mensagem de Baden-Power

Entrevista a Fernando Avellar

Intervenção de Fernando Avellar na Sessão Solene do 30.º Aniversário

  Olá, muito obrigado por visitar este espaço.

Espero que a sua leitura tenha sido do seu agrado.

Se for o caso de nos deixar agora, desejamos que volte muito em breve.

Até lá… e não demore muito.