SUMA tem nova sede

SUMA tem nova sede

01/02/2000 0 Por hernani

Sociedade União Musical Alenquerense

SUMA tem nova sede


Banda da SUMA-144s

O Primeiro de Dezembro sempre foi importante na vida da SUMA, mas este último teve um sabor especial; fez cento e nove anos e inaugurou a sua nova sede.

O dia começou com o desfile da Banda da SUMA, seguido da romagem ao cemitério de Alenquer, para uma homenagem aos antigos músicos já desaparecidos. Às 11 horas recepção à Filarmónica Recreio Santamarense (Ilha do Pico) e inauguração da nova sede.


JrisoJorge Riso
na inauguração da sala Estêvão Riso

Por tudo o que ele fez pela SUMA., o mínimo que eu poderia fazer era estar hoje aqui. Felizmente para esta casa ainda existem homens e mulheres como o Estêvão Riso. Hoje é um dia doloroso para mim, mas este talvez fosse um dos melhores dias da sua vida.








ApedroÁlvaro Pedro depois de ser homenageado pela SUMA.
Para mim o importante é este acto demonstrar o trabalho que a Direcção teve, que trabalharam de dia e de noite, e para mim o mais importante é o significado que todos estes homens tiveram. A placa que colocaram com o meu nome é um exagero, pois como Presidente da Câmara a minha obrigação é ajudar as colectividades. Enquanto houver colectividades com directores como estes, a Câmara tem obrigação de ajudá-las mais e muito mais


Jose Augusto CarvalhoJosé Augusto Carvalho, Secretário de Estado, inaugurou a sede da SUMA
Casas como estas servem a cultura e o ensino da música mas acima de tudo servem de encontro das pessoas umas com as outras. Este é um tempo com alguma crise de valores e, como eu costumo dizer, há muita gente triste e abandonada no meio dos outros. Tanta gente que no meio da multidão olha à sua volta e sente-se isolada e vítima da indiferença. Nenhum de nós pode ficar indiferente perante esta indiferença. Nós temos que ser afectuosos e para isso precisamos de conviver, e estas casas servem o convívio, servem o encontro. Nós só nos realizamos no relacionamento, autêntico, profundo, de uns com os outros.
Na vertigem da nossa vida, muitas vezes esquecemo-nos daquilo que temos e daquilo que somos, mas nós somos beneficiários de uma grande cadeia de solidariedade. Dessa transmissão de geração em geração, do muito que os mais velhos deixam às gerações seguintes.
Solidariedade também aos que são contemporâneos. Cada um de nós sozinho não pode ir muito longe. Nós realizamo-nos enquanto membros de uma comunidade. O homem é por definição um ser gregário. É fundamental não perdermos essa dimensão de relacionamento de uns com os outros. É fundamental não perdermos essa dimensão de comunidade local que todos integramos.
Há muita gente a protestar, provavelmente não usando os melhores métodos. Podem ter razão mas, pelas atitudes assumidas, podem perdê-la. Admito que nalgum radicalismo de certos comportamentos haja algo de censurável.
Para podermos conter os aspectos mais gravosos e mais inconvenientes do processo da globalização, nós temos que encontrar um antídoto, que nem sequer temos que inventar, pois ele existe e só temos que olhar para ele e que nos foi transmitido pelas gerações que nos antecederam: o antídoto é a valorização dos aspectos locais, da valorização de uma identidade, da valorização de uma cultura, da valorização de todos aqueles factores que nos distinguem e que nos diferenciam relativamente aos outros. Na diferença está a nossa riqueza e essa diferença é um factor preferencial que nos permita relacionar-nos uns com os outros. Os que vivemos lado a lado, os que vivemos na mesma terra, os que trabalhamos na mesma empresa.
A dimensão local tem que ser explorada no bom sentido para a nossa própria realização pessoal, para a nossa realização humana, para termos aquilo que cada um deseja ter e o que cada um merece ser. A dimensão local não pode ser esquecida, a dimensão local tem que ser reforçada exactamente como contraponto aos inevitáveis agravamentos da globalização.


PresidPresidente da Câmara de S. Roque do Pico
Já conhecia Alenquer quando cá vim pela primeira vez em 1995 através do intercâmbio com a Banda de Santo Amaro, que é uma das quatro bandas que existem no meu concelho, S. Roque, um dos dez mais pequenos do país. A freguesia de Santo Amaro do Pico estabeleceu o intercâmbio com Alenquer e é algo de marcante para um autarca como eu, perfazer dois mil quilómetros e assistir neste dia, in loco, à alegria de toda a gente da SUMA, pela concretização deste sonho.


Luis RemaLuís Rema
É um momento feliz para a SUMA., e é um momento muito importante para a cultura municipal, já que se abriu um novo espaço com melhores condições para um conjunto de pessoas que ao longo de muitos anos têm contribuído de uma forma insaciável para a música e, para a cultura, de uma forma geral. É pena que não seja possível estarem presentes todas as pessoas, que já há alguns anos faziam questão em criar um novo espaço como este, quer sejam antigos directores ou músicos. Mas de qualquer forma, essa é a lei da vida. O que é importante dizer é que é um passo acentuadamente melhorado no sentido de tornar a cultura, neste município, cada vez mais actuante e viva.


Joao PedroJoão Pedro, Presidente da Direcção
Sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança. Estes homens e mulheres da SUMA tinham um sonho que era ter uma sede nova e o sonho concretizou-se. Com este acto a SUMA, ganha novos horizontes podendo levar por adiante em moldes mais vastos os objectivos da sua existência. Este é um dia importante para invocar aqueles que ajudaram a SUMA, a ser gente grande. Aqueles que já partiram levando consigo o amor que tinham a esta casa, deixando-nos porém o exemplo de dedicação. Estêvão Riso dedicou 62 anos da sua existência à música. Pretendemos honrar os nossos mortos porque assim mostramos respeito pelos vivos.


Fernando Silva-151sFernando Silva, ex-presidente da Direcção da SUMA
Penso que é uma pedra fundamental na história da SUMA e os músicos que estão aqui já há muito que precisavam de condições para poderem levar a música e a sua excelente qualidade de executantes, de uma maneira mais alargada, a toda a população do Concelho de Alenquer.


Vasco da Cruz Flamino-154Vasco da Cruz Flamino, Maestro da SUMA
Sou maestro da SUMA. há 4 anos. Esta inauguração significa uma grande alegria, tem para mim um significado muito profundo, pois graças a este novo espaço, vamos conseguir dar melhores condições aos nossos músicos pois o trabalho de ser músico, nestas bandas, é um trabalho muito difícil, pois as pessoas, sacrificam-se bastante e principalmente quando não têm condições, então nesse caso o sacrifício é ainda maior. Neste momento, com todas estas condições, julgo que nós iremos conseguir cativar mais os músicos, vamos conseguir produzir mais ( é por isso que a Banda existe) e tentar fazer sempre um bom trabalho. Este significado para mim é bastante positivo. Julgo que com estas novas instalações a Banda pode vir a fazer um excelente serviço e caminhar melhor para um futuro mais risonho.


Micaela Oliveira-146sMicaela Oliveira
Faço parte da SUMA. há 7 anos e, é muito importante para mim esta inauguração. Foi pena que não tivesse sido há mais tempo, pois não foi possível, por circunstâncias económicas, mas estou muito feliz e contente por isso.



Santos Silva-147sSantos Silva
Pertenço á SUMA. há 2 anos. Agora iremos ter novas condições para a prática de música, o que é muito bom.




Antonio Augusto-148sAntónio Augusto
Pertenço á SUMA. há 47 anos. Para mim significa uma obra pela qual desde há muito que andámos sempre a lutar por ela e a agora conseguimos os nossos objectivos, mas que ainda não está bem concluída. Ainda falta uma parte que é a parte de cima, mas com as ajudas das autarquias e do governo e também do nosso trabalho, penso que iremos conseguir.


Antonio Augusto Lucas-149sAntónio Augusto Lucas
Há 53 anos que sou membro da SUMA. Isto significa para mim a realização de um grande sonho, em que há tantos anos andamos a pensar nisto e só agora conseguimos realizar. Acho que está bom, está engraçado, graças ao esforço de muita gente, é claro, e é a nossa nova casa . Deixo para trás tudo aquilo que aconteceu naquela casa velhinha, muitas dificuldades, muitas recordações. Aqui já não irei conseguir ter tantas alegrias e tantas recordações desta casa, pois os anos passam e eu já tenho 68 anos. Já estou quase a arrumar o “instrumento”.


João Mário_480x640João Mário
Eu até estou surpreendido com isto, porque acho um espaço fantástico. Acompanhei isto quase desde o início. Aquela ideia do arquitecto de fazer uma galeriazinha permanente, acho óptima. Porque quanto mais divulgado estiver o sector das artes, muito melhor. De maneira que acho muito bem. Acho o espaço muito simpático, muito agradável. Tudo construído em madeira. Acho isto muito bonito. Há sempre tempo para existirem estes espaços, mas se tivesse sido há algum tempo atrás, tinha sido melhor. Pelo menos para mim, que sou uma pessoa já de certa idade. Mas para as camadas jovens pois vem sempre a tempo. O espaço é muito bonito. Eu estou convencido que é das melhores colectividades do Concelho de Alenquer, pelo menos em beleza, e sinto que, tal como disse o Secretário de Estado, vai ser mais um pólo de atracção da Vila de Alenquer.


GraçaGraça Silva, Repórter da RVA
A cultura é o maior significado que dou a este acto. A cultura está presente sempre que se reúnem as pessoas certas nos momentos certos.


Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2000)

Director do Jornal D’Alenquer

in Jornal D’Alenquer, 1 de Fevereiro de 2000, p. 10


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