Nós da Gestão e Chaves da Criatividade?

Nós da Gestão e Chaves da Criatividade?

17/02/2016 0 Por hernani

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O que todos sabemos, mas não aplicamos

Nós da Gestão e Chaves da Criatividade?

“Nós da Gestão e Chaves da Criatividade? – O que todos sabemos mas não aplicamos” é um livro de António Jorge Baptista, editado pela Cultiva

Nós da Gestão e Chaves da Criatividade?, de António Jorge Baptista

Livros, SL, em Lisboa, no passado ano de 2015.

É difícil falar (neste caso, escrever) quando se interage surpreendido pela narrativa que não é um ensaio filosófico nem um tratado técnico sobre gestão empresarial mas, que é isso mesmo… no seu conjunto e, sobretudo, na sua fragmentação.

Começo por aí: “Nós da Gestão e Chaves da Criatividade? – O que todos sabemos mas não aplicamos” não é um livro grande mas é um grande livro. Isto é, uma centena de páginas de sentido cativante. É um quase relato autobiográfico do autor; em cada um dos pequenos textos “adivinha-se” uma passagem marcante da sua vida de formador.

Neste conjunto de 31 pequenos capítulos individualizados, dissemelhantes entre si e muito deles com a “convocação” de alguns pensadores para melhor ilustrar a sua mensagem, chama a atenção serem todos titulados e terminarem com uma curta frase motivacional: a Chave da Criatividade proposta pelo autor para alavancar o processo de desfazer os Nós da Gestão.

Poder-se-á conjecturar que o livro agora anatomizado, tendo presente a pluralidade tipológica dos textos que escolhe, requereria uma coerência orgânica que lhe facultaria uma tipologia única. Nada mais remoto da realidade que esta análise imediatista, ancorada apenas na aparência textual. Na verdade, a leitura cuidada dos diversos pequenos capítulos faz emergir um denominador comum a toda a obra. Investimento no capital humano.

Neste livro, António Jorge Baptista disserta sobre a sua relação com o mundo da gestão; melhor, com o mundo do ensino da Gestão Empresarial. A sua capacidade de simplesmente dizer aquilo que sente e pensa, não o coíbe de frequentemente apelar a citações ou pensamentos de gurus do mundo empresarial, da investigação e, até, da Filosofia. Uns “às claras”, outros implicitamente.

Um primeiro exemplo: Para formalizar que a discussão em grupo – brainstorming – funciona como uma captação de ideias e de fomento da criatividade, e que será negativo não se aceitar pontos de vista divergentes dos nossos, António Jorge Baptista chega ao budismo indiano. (Zen: cada coisa é essa coisa e simultaneamente o seu contrário).

Um segundo exemplo: A gestão empresarial terá que se preocupar com a imagem que a organização transmite para o exterior, sobretudo a competência, o conhecimento e a honestidade; resumidamente, o seu valor. Quem não tem razão tem tendência para se justificar, remetendo a culpa para os outros. Aqui, o autor lembra que o ser humano tem tendência para dizer bem de si e mal dos outros, mal dos seus rivais, mal de tudo o que lhe faça sombra, e apela mais uma vez à Filosofia para melhor explanar a sua mensagem. (Jean-Paul Sartre: o inferno é sempre os outros). E mais alguns exemplos poderia aqui mostrar com a chamada “à briga” de Isaac Newton, Ortega y Gasset, Confúcio, Albert Einstein e Cervantes.

Penso que António Jorge Baptista é um Formador Filósofo; e não só pelo atrás exposto. O parágrafo Mitos do amanhã é talvez o mais filosófico de todos, digamos assim. E nem sequer nele se refere explicitamente a nenhum desses pensadores. Mas, uma leitura atenta, “descortina” Aristóteles, lá bem acantoado num epiquirema de um silogismo: Neste momento estamos a viver no amanhã de ontem (…) porque podemos encarar o passado visto no futuro. E, tão só para dizer, que só na criação de um horizonte divergente mas inédito, a organização permanecerá com base sólida para enfrentar o possível esquecimento do amanhã. E, que, só no desenhar do futuro se poderá chegar ao presente.

A revista norte-americana Time fez uma selecção dos 25 livros mais importantes de gestão das últimas décadas. Em sétimo lugar aparece O Essencial de Drucker, de Peter Drucker, o meu favorito e presente na minha biblioteca pessoal. Este autor mediático ficou consagrado por conseguir pensar à frente de seu tempo, e praticamente ter inventado a teoria da administração. António Jorge Baptista clama pelo seu auxílio para melhor ilustrar o parágrafo Farpas na Comunicação – outra variável que muito valorizo – quando diz que “o saber ouvir é também uma excelente forma de comunicar, pois desencadeia competências para actuar, entender e interiorizar o objectivo, o interesse e o conhecimento da outra parte”. (Drucker: A coisa mais importante em Comunicação é ouvir o que não está a ser dito).

Com este livro, António Jorge Baptista diz-nos que “gestão e criatividade” são duas valências essenciais à sobrevivência de qualquer negócio, na maioria das situações, inseparáveis. E como prioridade aponta o investimento nas pessoas, o maior capital numa organização; tratar um empregado como se um cliente fosse. Defende, ainda, a existência de uma visão que combine com o desigual; e na criatividade e imaginação como aposta constante para a diferenciação. António Jorge Baptista convida a uma mudança de paradigma, a uma ruptura com o passado. E para isso apenas há que resolver a questão do problema ser como vemos o “problema”.

“Nós da Gestão e Chaves da Criatividade? – O que todos sabemos mas não aplicamos” não é um livro que se leia uma vez e se coloca na estante. Pelo contrário, deverá ser lido de uma só vez, para ter uma noção de conjunto e, a partir daí, ser um companheiro útil durante o processo contínuo como gestor empresarial.

Alenquer, 17 de Fevereiro de 2016

Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2016)

Programador Cultural

Presidente da Alenculta

hernani.figueiredo@sapo.pt

965 523 785

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