Morreu Pedro Pinheiro. O adeus a um amigo

Morreu Pedro Pinheiro. O adeus a um amigo

15/11/2008 0 Por hernani

Morreu Pedro Pinheiro, o “Actor de Mil Palcos”

O adeus a um amigo

“O artista mais completo do espectáculo até hoje”, segundo o seu biógrafo, Luciano Reis. ”Projectos novos, tenho muitos, sempre; e no imediato, neste ano em que comemoro 45 anos de cena (2008), é voltar a representar em palco, do que tenho muita saudade”, disse-nos recentemente em entrevista.

Morreu a 13 de novembro de 2008 o actor Pedro Pinheiro, vítima de cancro. Na opinião do seu biógrafo, “o artista mais completo do espectáculo até hoje”. À Lusa, Luciano Reis, autor do trabalho biográfico “ACTOR DE MIL PALCOS, há pouco publicado, disse de Pedro Pinheiro que apesar da memória recente fixar o seu trabalho na série televisiva “Os malucos do riso”, o actor foi “um incansável autor com uma grande capacidade criativa em todas as áreas”. Naquela obra biográfica”, Margarida Carpinteiro prefaciou-a afirmando, entre muitas coisas bonitas que “Pedro Pinheiro pertence ao grupo de homens que entenderam há muito o abismo e a glória que convive paredes meias no ser humano. É um “sabedor” de vidas, um talentoso ser, pronto a acolher e a ajudar”.
“Aos quatro anos decidi o que queria ser quando fosse grande ao ver o primeiro filme, “Amor de Perdição”, no cinema ambulante que de vez em quando passava por lá” (pela aldeia). Hoje ninguém tem dúvidas do que realmente Pedro Pinheiro queria ser. UM GRANDE ACTOR.
Um actor que tinha como referência no universo teatral o próprio TEATRO. Um actor que começando com Shakespeare não se amedrontou com papéis de comediante: “Tenho formação do teatro clássico, onde há a comédia, indubitavelmente o meu género favorito”. Mas, Pedro Pinheiro era também comediante ou era sobretudo comediante? E o próprio, em devido tempo, esclareceu. “Sobretudo sou actor, e o teatro inclui o drama, no teatro está a tragédia e a farsa e, como é óbvio, a comédia também lá está”. “Mas para mim, Teatro não é só representar. As outras actividades que eu desempenho, todas elas estão ligadas ao Teatro, e todas elas contribuem de alguma maneira para eu me realizar”. E sobre duas dessas actividades, POESIA e LIVROS, disse-nos há pouco tempo, “Faço alguma mas é só para mim. Não dá para a expor”. “Tenho pena de já não acreditar no Menino Jesus”, isto apesar de muitos dos seus títulos serem dedicados ao Natal e ao Menino Jesus.
JOAQUIM JOSÉ PEDRO DA SILVA PINHEIRO nasceu em Abrigada, concelho de Alenquer, a 27 de Novembro de 1939, onde deu os primeiros passos no teatro amador, quando pisou pela primeira vez um palco, aos onze anos, para dizer uns versos. Autor, actor, encenador e director, teve uma actividade diversificada na área do espectáculo, tanto no teatro como na rádio, no cinema e na televisão.
Frequentou o Conservatório Nacional no “Curso de Teatro” de Representação e Encenação. Fez parte do grupo que fundou a “Casa da Comédia”, em 1963, ano da sua estreia profissional, a 30 de Novembro, no Teatro da Trindade, em Lisboa, onde representou “O Mercador de Veneza”, de Shakespeare. Trabalhou na Companhia de Raul Solnado, Companhia de Teatro Popular, Companhia de Igrejas Caeiro, Companhia de Vasco Morgado, Companhia Rafael de Oliveira, Companhia de Io Apoloni, Companhia Rui Guedes e António Semedo, TALMA-Teatro Popular, Companhia Teatro do Gerifalto, METRUL-Teatro Capitólio, Grupo Maré Viva, etc. Desde 29 de Abril de 2008 está perpetuado, na parede do Salão Nobre do Teatro da Trindade, com uma placa ao lado de muitas outras ali existentes com os nomes de grandes vultos do teatro português.
Mário Pereira é o grande responsável pela sua ida para o Cinema, onde, em 1967, fez o papel de um jovem padre, começando aí a longa lista de padres que abraçou, alargando-a à Televisão e ao Teatro. Entrou em 15 filmes como actor e trabalhou com Manuel de Oliveira (“O Passado e o Presente”), Artur Semedo, Herlânder Peyroteo, Phillipe Clair, Luís Galvão Teles (“A Vida é Bela”) e Carlos Coelho da Silva com “Amália, o Filme”, a estrear a 4 de Dezembro.
Álvaro Benamor levou-o para a rádio, onde fez teatro radiofónico, folhetins, programas de divulgação cultural, programas de poesia e juvenis. Ruy Ferrão levou-o à televisão, onde participou em peças teatrais, algumas no tempo do “directo”, séries, telenovelas, programas musicais, etc.
Nos livros, o primeiro foi “As histórias do Palhaço Casacão”, em 1972. “Memórias de um miúdo de oito anos”, em 1973, escreveu-o dedicado aos pais. Dedicado ao seu irmão, Hernâni, também escreveu um livro, “Saudades Mil”. Da sua longa lista de títulos consta “A Última Crónica da Índia”, de 1997, um trabalho mais profundo, onde relata a sua odisseia enquanto prisioneiro das tropas indianas. Para o teatro tem “O Cretino que vendeu o Sol”, e “Encontro com Rita Hayworth”, vencedor em 2000 do GRANDE PRÉMIO DO TEATRO PORTUGUÊS, certame anunciado precisamente a cada dia 22 de Maio, “Dia do Autor Português” e que é organizado pela SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), organismo onde existem 134 registos de trabalhos de sua autoria.
45 anos de carreira é tempo mais do que suficiente para se construir uma opinião sobre o Teatro. “O teatro em Portugal foi sempre muito mal tratado. Só que o teatro resiste a isso tudo porque tem muita força. Ele nasceu com o primeiro homem”. Tantos anos de “cena”, tantos agravos recebidos, tantos esquecimentos, sempre tão poucos apoios, mas os planos para o futuro continuam. “Projectos? Muitos, sempre. No imediato, neste ano (2008) que comemoro 45 anos de cena, é voltar a representar em palco, do que tenho muita saudade”.
“A terra onde eu nasci chama-se Abrigada, perto de Alenquer, é o meu porto de abrigo, onde está a minha família”. Pedro Pinheiro tinha 68 anos e faleceu na quinta-feira, em Lisboa; vai hoje a sepultar. O funeral realiza-se, às 12:30, da Basílica da Estrela para o Cemitério dos Olivais, onde será cremado. “A morte não é um tormento, é antes o fim de um tormento” (Cayo Salústio Crispo). Paz à sua Alma.


VEJA A ÚLTIMA ENTREVISTA A PEDRO PINHEIRO

Hernâni de Lemos Figueiredo

in Jornal D’Alenquer de 15 de Novembro de 2008 (online)/p>

©Hernâni de Lemos Figueiredo (2008)

Director do Jornal D’Alenquer

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