Entrevista a… LUÍS REMA – “Estamos no bom caminho!…”

Entrevista a… LUÍS REMA – “Estamos no bom caminho!…”

01/05/2001 0 Por hernani

“Estamos no bom caminho!…”

Entrevista a… LUÍS REMA

NL17-Entrevista a... Luís Rema-2Há dois anos, numa anterior entrevista a Luís Rema, afirmei que “cultura é exercício de cidadania enquanto forma de participação social e para ela resistir à massificação em curso ou à ameaça economicista do mercado é necessário um sinal positivo do poder político embora esse intervencionismo possa ser confundível com paternalismo”. Realmente a Câmara Municipal de Alenquer tem tomado uma posição fortemente significativa na área cultural e quem tem protagonizado essa intervenção tem sido Luís Rema, o vereador responsável pela área da Cultura

Como dizia Luís Rema em 1998, um dos seus principais objectivos era “pôr o concelho a ler” e, para isso, “queria agarrar nesta biblioteca (de Alenquer) e dividi-la pelo concelho: escolas em primeiro lugar e depois as Juntas de Freguesia”. Não o conseguiu com as Escolas mas o êxito foi alcançado com as Juntas de Freguesia. Com a abertura dos Pólos de Abrigada, Carregado, Merceana e Olhalvo, conseguiu efectivamente, “descentralizar a leitura”.

Não ficou pelas bibliotecas. Do “Março do Teatro” ao “Junho da Lusofonia”, das mais variadas “Exposições” por todo o concelho, aos “Colóquios/Debates”, do “Novembro Cultural” ao restauro de alguns espaços históricos que se encontravam degradados, da “Bienal”, (a maior exposição de Arte Figurativa que se realiza no país), às mais diversas formas de apresentações musicais, quer sejam elas, folclóricas, sacras, eruditas ou populares conseguiu, Luís Rema, um projecto de desenvolvimento cultural singular e notável para o concelho de Alenquer, com o envolvimento, de forma organizada, de juntas de freguesia, colectividades e cidadãos.

A cultura é condição fundamental de desenvolvimento?
Não tenho a menor dúvida, tudo é mais coerente, tudo é mais compreensivo e justo; as pessoas agem de forma mais interactiva e cordial, se a sociedade for precursora de valores como a criatividade saudável, as tradições, a arte de viver, os costumes, a cidadania. Ser culto, no fundo, é ter memória, é ser capaz de ouvir e fazer-se ouvir, é ter coragem para mudar, é ter orgulho nas suas opções, mas é igualmente ser humilde para perceber que os erros não pertencem só aos outros, é ter sempre presente que a única certeza é que não devemos ter certezas. Reside na cultura, talvez, o único instrumento para o entendimento entre os cidadãos, a cultura com carácter transversal tem função determinante na escola do futuro, no ambiente, na redução das assimetrias regionais, na qualificação da vida urbana, na valorização e respeito pelo património edificado e, permita-me sublinhar, na criação de uma opinião pública sólida, interveniente quando desejável, consensual quando possível. Não há país economicamente forte se não tiver uma sociedade culturalmente consciente dos valores de cidadania.

De entre os seus pelouros, a cultura é a sua “menina dos olhos de oiro“?
Direi que o pelouro da cultura é aquele que tem uma exposição visual mais mediática, que congrega muitas centenas de pessoas e que incorpora mais do que um sentimento de criar e fidelizar, o fundamento nobre de veículo de desenvolvimento do potencial humano. A cultura contribui decisivamente para a qualificação dos recursos humanos, numa perspectiva da valorização individual e colectiva. Para além do dever, esta é uma área onde o afecto se sobrepõe à razão. Por isso aceito a sua afirmação: “a cultura ser a menina dos seus olhos de oiro“; claro que os outros pelouros que me estão afectos não reúnem esta profundidade do conhecimento, mas, naturalmente que têm questões de interesse indiscutível e para o qual tenho procurado contribuir modesta, mas denodadamente.

As iniciativas implementadas pressupõem uma cultura de continuidade?
Tenho a convicção de que é conscientemente sustentável a manutenção de iniciativas como “Março, Mês do Teatro”, “Sons ao Vivo“, “Mercado do Livro“, “Junho Inter-Cultural”, “Concurso de Poesia“ e “Novembro Cultural“, cada uma destas rubricas têm conteúdos diferentes e de grande motivação local.

Qual o impacto dessas iniciativas?
Só entendo uma estratégia cultural devidamente fundamentada, desde que nela se incorporem todos aqueles que manifestam vontade de servir o interesse público. Para além dos autarcas, também os dirigentes associativos e outras singulares, tem colaborado de forma inequívoca de vontade e prazer neste projecto transversal e de interesse na persecução dos nossos valores e da nossa ímpar memória colectiva.

O modo como a população adere fá-lo pensar que está no bom caminho?
Temos consciência que a cultura conquista-se lenta, demasiado lentamente. A estrada a percorrer é sinuosa e muitas vezes parece-nos “cortada“ à circulação mas, como em muitos aspectos da vida, a perseverança e o rigor devem constituir conceitos inabaláveis, isto para lhe dizer que estamos no bom caminho, a assiduidade às iniciativas aumenta, embora, reconheçamo-lo, devagar mas de forma sustentada.

De uma maneira geral, como analisa os colóquios-debate realizados na Biblioteca de Alenquer?
Sem dúvida que os colóquios-debate são neste momento, uma espécie de ex-libris de política cultural do Município. Por cá têm passado notáveis figuras da nossa vida colectiva: Baptista Bastos, João Mota, Lídia Jorge, Rui de Carvalho, Iva Delgado, Gonçalo Ribeiro Telles, José Jorge Letria, Daniel Sampaio, Helena Vaz da Silva, Maria do Céu Guerra, Camacho Costa, Hernâni de Carvalho, Maria Alberta Menéres, Mário Ruivo, Rui Mendes, Carmen Dolores, Vasco Lourenço, Domingos Abrantes, Mário Soares, António Alçada Baptista, Veríssimo Serrão, Carlos Monjardino, Ramalho Eanes, Urbano Tavares Rodrigues, Arons de Carvalho, Rita Ferro, Rui Zink, Alberto Vaz da Silva, Jacinto Ramos, Eunice Muñoz e António Vitorino de Almeida. São apenas algumas das personalidades que connosco têm privado permitindo, não tenho dúvida, momentos de raro prazer intelectual, ao mesmo tempo que percebemos do enorme grau de humildade que a cada um está adjacente. Do ponto de vista pessoal, sinto-me eternamente grato e reconhecido.

Um dos fenómenos mais recentemente notados é o “despertar a alma das massas com a cultura” mas isso também pode ter o seu lado perverso se se utilizar esse “despertar” para, de certo modo, condicionar o conhecimento das pessoas e, uma das muitas maneiras possíveis é “modelar” o painel de autores nas bibliotecas públicas. Para impedir que isso aconteça, qual o critério utilizado para a aquisição de obras para as bibliotecas do concelho? A aquisição do acervo bibliográfico faz-se de acordo com três princípios: o respeito pela solicitação dos utentes; a noção que a equipa técnica tem em relação a áreas mais exigentes e, por fim, a indicação que nos é dada pela comunicação social escrita.

Qual o número total de obras disponíveis?
Neste momento o acervo total registado nas cinco bibliotecas é de cerca de 45.000 obras.

Qual a quantidade de obras e valores envolvidas no ano anterior?
Em relação a valores e no plano estrito de obras o investimento cifrou-se em 4.500.000$00, tendo o número de obras rondado os 2.700.

Para quando a possibilidade de consulta informática dos autores e títulos?
Neste momento já é possível disponibilizar a consulta informática de todas as obras existentes no sector de adultos, que são as mais requisitadas. Estamos a fazer o tratamento da área infanto-juvenil. Este é um processo que requer, para além do conhecimento técnico óbvio, uma disponibilidade temporal razoável. Está para breve a finalização do processo.

O que é que tem sido feito na área do Património?
Decidimos para estes quatro anos de mandato autárquico dar total prioridade à requalificação do centro histórico de Alenquer, nomeadamente à zona vulgarmente conhecida por Vila Alta. Neste contexto a recuperação dos espaços públicos tem merecido a nossa atenção entendendo-se como motivadora não só da perspectiva de recuperação do parque edificado mas ainda como elemento revitalizador do comércio tradicional. É uma área complexa mas apaixonante, que deve ser exercida de forma criteriosa e prudente, ou não fosse uma das matrizes da identidade Nacional.
O “Centro Histórico de Alenquer” congrega na sua formação para além de um posicionamento estético invejável, de uma história sublime, de um traçado urbano envolvente, um conjunto de edifícios de extremo significado histórico.
Igualmente e integrado na ADL (Associação de Desenvolvimento Local) temos comparticipado financeiramente nas acções de restauro e recuperação de outros núcleos históricos, Aldeia Gavinha, Aldeia Galega da Merceana e Ribafria, são alguns exemplos.

Qual a situação dos Castros da Pedro d’Ouro e de Ota?
Está configurado no projecto de intenções da Câmara para este ano iniciar o processo de intervenção no Castro da Pedra d’Ouro. Como sabe este castro está classificado como Monumento Nacional desde 1992 ao contrário do castro de Ota, daí a nossa preferência. A possível reconstituição da vida dos habitantes de um povoado do tempo eneolítico ou calcolítico (mais ou menos 2000 a 3000 a. C.) é naturalmente matéria que merece da nossa parte toda a atenção e denodo. O facto das más condições climatéricas se terem prolongado demasiado no tempo ainda não permitiram iniciar esta intenção que classifico de grande importância não só do ponto de vista arqueológico, mas também, do ponto de vista turístico.

Em que pé se encontram as obras e o que está concretamente projectado para a Igreja da Várzea?
Está em curso a primeira fase de recuperação do edifício, ou seja, toda a estrutura exterior, restando, entretanto, o estudo do conteúdo já definido: Casa Memória-Damião de Goes e um auditório. Pareceu-nos a solução mais coerente e ajustada ao meio envolvente.

Para quando a recuperação do edifício do Celeiro Real e, concretamente para quê?
Prevê-se para breve a recuperação total deste significativo imóvel. Soluções como um Museu da Vinha e do Vinho são conteúdos possíveis para este espaço.

Para quando a reconstituição das Festas em Honra do Divino Espírito Santo, que a rainha Santa Isabel instituiu em Alenquer?
Penso que não têm estado reunidas as condições para se iniciar as Festas em Honra do Divino Espírito Santo. O recomeçar desta festa imperial, cujo início data de finais do século XXIII (1295), exige não só pela sua tradição, não só pelo facto de nas localidades que ainda comemoram este acontecimento ter enorme carácter e prestígio nacional, como é o caso da festa dos tabuleiros em Tomar ou nos Açores, ou ainda porque mais relevante se torna quanto é certa a internacionalização deste acontecimento. Índia, Estados Unidos e Brasil entre outras, tornaram esta festa numa referência religiosa importante, mas acima de tudo e fundamentalmente porque foi em Alenquer que a Rainha Santa Isabel imortalizou este grande evento. Por todos estes elementos condicionadores, tenho a noção que Alenquer tem enorme responsabilidade na sua produção. Reunir consensos, meios e sobretudo vontades num grande projecto concelhio é o grande desafio que se coloca.

O que está previsto para as Comemorações dos 500 anos do nascimento de Damião de Goes?
No final do ano passado solicitámos ao Sr. Ministro da Cultura a pretensão justa e natural de Alenquer protagonizar as comemorações nacionais dos 500 anos do nascimento de Damião de Goes. Ainda não temos uma resposta. Contudo, estamos convictos que a nossa ambição se irá concretizar possibilitando mais um momento alto na vida do nosso Município, fazendo justiça ao nosso mais insigne e admirado conterrâneo.

Como vai decorrer a Feira de Ascensão deste ano e quais as principais inovações em relação aos anos transactos?
Trata-se, como é do conhecimentos de todos, de uma feira de amostras que tenta ilustrar no seu âmbito as potencialidades do nosso município, revelando toda a dinâmica dos sectores económico, social, cultural e público. Respeitamos os princípios definidos em 1981 sem, todavia, deixarmos de nos empenhar numa continuidade progressivamente melhorada. Significa dizer que o carácter próprio deste evento não permite alterações significativas de conteúdo.

A Feira do Vinho e do Cavalo que continua a ser contestada pela CDU, é para continuar?
Permita-me, em primeiro lugar, que corrija a afirmação de que a CDU não aprova o evento; alguns elementos da CDU motivados por uma questão política de princípio acham que uma feira equestre nomeadamente, é uma iniciativa só para alguns: para ricos, para o sangue azul, etc., ou que Alenquer não tem um passado equestre significativo. Qualquer destes conceitos não tem qualquer verdade. Como perceber que câmaras como Vila Franca de Xira, Golegã e mais recentemente Alcácer do Sal, Alcochete e Moita, as duas primeiras de gestão comunista durante muitos anos, as últimas de gestão comunista actual, tenham feiras equestres? Depois, Alenquer, teve e tem personalidades que muito dignificaram e dignificam este meio; Vaz Monteiro, Pinto Barreiros, Cunha e Carmo, a família Bragança, Vasco Freire, Brito Paes, a família Stilwell, entre outros.
A Feira do Vinho e do Cavalo de Alenquer, única do País, com esta dupla característica é o segundo evento equestre Nacional sendo elemento fundamental na tentativa de manter a exposição vinícola que nos é grata não só pela quantidade mas sobretudo pela qualidade dos nossos vinhos. Enquanto sentirmos a utilidade deste certame continuaremos a realizá-lo como é obvio.

Qual a situação do programa URBCOM para a baixa de Alenquer?
O Projecto de Urbanismo Comercial que a Câmara em parceria com a ACICA ousou candidatar-se, estando neste momento em análise na Direcção Geral do Comércio e Concorrência é de importância extrema para a revitalização integrada da zona baixa de Alenquer.
É um projecto que numa primeira fase irá contemplar as artérias de maior densidade comercial desta zona. A adesão de 83% dos comerciantes envolvidos, adicionado à nossa clara intenção de alterar de forma significativa toda a baixa da nossa vila faz-nos estar optimistas quanto ao resultado final. Uma nova configuração das zonas adjacentes ao rio, uma nova ordenação de trânsito, a transformação da Rua Triana em espaço pedonal, a revitalização de todo o núcleo histórico do bairro do Areal onde se salienta as diversas valências públicas na antiga fábrica de Papel são o resultado indicador da nova imagem que a Câmara pretende para a designada vila baixa de Alenquer.

O CIAC é uma das áreas que passa despercebida ao grande público, que utilidade tem tido?
Como sabe existem actividades que pela sua natureza se expõem mais mediaticamente que outras. O Centro de Informação e Apoio ao Consumidor não tem uma característica visual diária. Contudo, exerce uma função importante, pois como o próprio nome indica apoia os consumidores, que somos todos nós, não só no reconhecimento dos seus direitos e deveres como medeia conflitos entre quem compra e quem vende. Neste aspecto o CIAC funciona como entidade intermédia entre o acordo e o tribunal.
Reside, contudo, na escola a acção mais importante deste sector já que a constante acção pedagógica que o nosso técnico exerce sobre os alunos deverá constituir precioso auxiliar na formação de cidadãos mais preocupados, mais conhecedores e mais exigentes na aquisição dos seus bens; procurar que a nova geração não compre gato por lebre, é o princípio. De forma discreta é certo, mas eficiente quanto possível e formadora quanto necessária, o CIAC tem cumprido a função que a legislação sustenta e que os direitos dos cidadãos requerem.

Qual o balanço deste mandato?
O programa definido para os quatros anos de legislatura têm-se caracterizado pela descentralização e diversidade. Do erudito ao popular, as iniciativas propostas, têm tentado conjugar a qualidade com a quantidade, sendo certo que mais importante que tentar fazer o melhor, é tentar fazer o possível. Para além de iniciativas temáticas que procuramos perdurarem no tempo, a nossa atenção tem tido em consideração a necessidade de todos os meses estarmos em colectividades mediante critérios de racionalidade local, suscitando uma dinâmica unicamente cultural onde os valores do nosso património comum estejam sempre presentes.

Como tem analisado o seu trabalho?
Fez em Março três anos que comecei a exercer as minhas funções. Durante os dois primeiros anos e, por opção estive como vereador a meio tempo, depois e desde Janeiro de 2000, como vereador a tempo inteiro. A experiência tem sido incondicionalmente gratificante. As emoções constantemente vividas, a procura sempre e mais acutilante de momentos concretos de afirmação de interesse da nossa população, concretizada até ao momento e no plano estritamente cultural e durante três anos em cerca de 400 iniciativas culturais, percorrendo todas as localidades deste concelho onde pessoas de invejável valor e sentimento, cruzam as suas experiências, a sua simplicidade, a sua paixão e talento, na razão única de sobrepor a identidade dos valores da moral do conhecimento e da nossa história, ao egoísmo, da afeição da vida social, à anti-partilha do conforto ideológico saudável. Um projecto traçado para 4 anos de legislatura a pensar em todos e com todos. Conscientemente não sinto razão para fazer alterações estruturais na opção traçada. Longe de pensar que a razão está totalmente nos princípios programáticos idealizados tenho, contudo, a confirmação de que me encontro no caminho mais certo, confirmação expressa na satisfação e apreço que me têm sido constantemente manifestadas.

A aceitação do cargo de vereador, implicou a atribuição do pelouro da cultura?
A cultura como área manifestamente criativa, suscita-me uma apetência natural; sempre tive dificuldade em conceber trabalhos em actividades de mera rotina. Aliás, quando me dediquei ao desenvolvimento de software, há 25 anos atrás, era indicativo dessa minha forma de estar. Claro que existem outras áreas da gestão autárquica onde igualmente essa dinâmica criativa é condição indispensável.

A sua ambição política esgota-se com as responsabilidades de vereador da cultura?
A actividade política não é mais do que a predisposição para estar sempre ao serviço das pessoas, para tentar que os seus anseios e determinação valorativa encontrem nos agentes políticos, uma transparência de processos e um procurar de soluções que permita uma sociedade de valores e não uma sociedade de interesses. As pessoas sempre em primeiro e único lugar. Sinto honra no meu modestíssimo percurso político, não tenho qualquer ambição que não seja continuar a tudo fazer para colaborar num município onde cada vez mais se sinta o prazer de estar.

O que espera do futuro próximo?
Cada mandato que se segue tem necessariamente novos e importantes desafios para concretizar. A descentralização de responsabilidades do Governo para as autarquias por um lado, as exigências naturais indesejáveis e cada vez mais pertinentes dos cidadãos, por outro, acrescido no caso concreto do Município de Alenquer da instalação do novo Aeroporto Internacional de Lisboa, com toda as implicações daí derivadas, tornam claros a dificuldade e o desgaste mas, igualmente o sublime desafio que o próximo mandato envolverá.

O seu trabalho não tem merecido crítica por parta da oposição?
A gestão de um Município num estado democrático deve ser, no essencial e no meu ponto de vista, o resultado de uma profunda relação com as Juntas de Freguesia e destas com a população. Do conjunto desta clarividência, nasce um plano estratégico de prioridades, programado no tempo com regra e consenso a que se dá o nome de Plano de Actividades. Tem sido este o nosso conceito de gestão. Documento de opção claramente político, não tem merecido da parte da oposição, nenhuma outra ordem de exequibilidade, pese uma ou outra divergência pontual com o vereador da CDU, o que me permite afirmar a razão das nossas intenções, não dando margens críticas de relevo e verdade à oposição.

O Estado tem apostado na formação cultural dos cidadãos?
Acho inquestionavelmente que sim, esta absoluta afirmação de valores não é um desafio português sequer, representa o despertar consciente de uma Europa em transformação. Repare que não é por mero acaso que a Comissão Europeia depois de uma preocupação quase exclusivamente economista durante muitos anos, lançou um documento importante que lhe deu o nome de “Para uma Europa do conhecimento”, promoveu pela primeira vez, uma cimeira de chefes de Estado sobre o Tema Educação durante a última presidência portuguesa da Comunidade, desenvolveu o conceito de capital Europeia de Cultura com todo o envolvimento económico social e, claro, cultural que cada cidade envolvida desperta – veja o que está a acontecer com a cidade do Porto que mercê desse desígnio , está a proceder a uma requalificação urbana de grande profundidade, criar centros culturais modernos e funcionais, espaços de memória e conhecimento, proporcionadores de um futuro mais adequado à valorização humana das próximas gerações. A cultura é, neste momento, um instrumento político a que todos os modelos de gestão atribuem uma função, decisiva. Uma política de cultura só pode ser uma política que atravesse todas as outras políticas – porque a cultura é motor de desenvolvimento económico, porque é geradora de novos e melhores empregos, combate de forma inequívoca a exclusão social, abre novos caminhos de sentimentos, de tolerância e de auto-estima entre os povos. Começámos tarde mas…, mais vale tarde que alguma vez. Para terminar sempre lhe relembro que a política remedeia, a cultura previne.

Apesar de pertencermos a uma sociedade problemática, estamos no caminho certo?
Não há infelizmente uma receita milagrosa que tenha efeitos imediatos no tempo. Descobre-se o mal com facilidade, chega-se ao bem com sacrifício. Devemos ter sempre presente que não somos mais um país com dez milhões de habitantes, antes um espaço de trezentos e quarenta milhões de onde, resulta uma complexa rede de problemas que, naturalmente, vem ao de cima, a ausência de referências, onde o combate às causas é muitas vezes substituído por promessas inadequadas. Um combate difícil, moroso, mas sem alternativa. Uma política forte, solidária e incisiva onde todos são insuficientes, é a solução.

Biografia

NL17-Entrevista-a..Luís Fernando Martins Rema, nasceu há 46 anos em Alenquer, precisamente na Rua detrás da Misericórdia, na Vila Alta, em pleno Centro Histórico. É Analista e Programador de Informática há 25 anos. Candidato às autarquias integrado nas listas do Partido Socialista, em Dezembro de 1982, foi presidente da Assembleia Municipal. Também foi presidente da direcção da Liga dos Amigos de Alenquer e presidente da direcção do Sporting Clube de Alenquer onde, neste mandato, é presidente do Conselho Fiscal. Actualmente desempenha as funções de vereador responsável pelos pelouros da Cultura, Património Histórico, Feiras, Comércio e Defesa do Consumidor.

Curiosidades
SIGNO = Leão
RELIGIÃO = Católica Apostólica Romana
AMOR = Família
PAIXÃO = Leitura
CLUBE = Sporting
LAZER = Columbofilia e Equitação.
DESPORTO = Artes Marciais
LIVRO = Os Lusíadas
FILME = Os Canhões de Navarone
COR = Verde e amarelo.
MÚSICA (ESTILO) = Italiana
MÚSICA (CANTOR) = Elton John
AUTOMÓVEL DE SONHO = Não tenho
SONHO = Uma sociedade mais justa
PREOCUPAÇÃO = A Miséria
SAUDADES = Meus avós
APLAUSO = A luta pela dignidade humana
TELEVISÃO = Meio poderoso para o bem e para o mal
IDEAL PESSOAL = Bom senso, honestidade, transparência e trabalho.
IDEAL POLÍTICO = Servir os cidadãos deste Município com o máximo de empenho e saber, procurando que a humildade continue a fazer parte da minha forma de estar.
POLÍTICA = Forma de transformar as sociedades.
CULTURA = Essência fundamental à vida.
OPOSIÇÃO = Sinónimo de democracia.
ESCÂNDALO = Corrupção
ÁLVARO PEDRO = Referência marcante da história passada, presente e futura deste Município.



Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2001)

diretor do Jornal D’Alenquer

in Jornal D’Alenquer de 1 de Maio de 2001, p. 26 a 29


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