Damião de Goes e Erasmo

Damião de Goes e Erasmo

01/02/2000 0 Por hernanifigueiredo

Damião de Goes e Erasmo

A ópera vai unir as Capitais Europeias da Cultura 2001. Damião de Goes foi escolhido pelos dirigentes holandeses

Erasmo de Roterdão, pintado por Hans Holbein, o Jovem

Erasmo de Roterdão, pintado por Hans Holbein, o Jovem

Damião de Goes conviveu com os grandes humanistas do seu tempo e é mesmo a sua relação com Erasmo de Roterdão e a correspondência que ambos trocaram, que serve de fundamento a uma ópera a realizar no nosso país e que vai ser um dos pontos altos do “Porto 2001 Capital Europeia de Cultura”. Trata-se de uma co-produção do Porto e de Roterdão e que, no caso do Porto cimentará um processo que pretendeu devolver a opera à cidade.

A partitura musical estará sob a responsabilidade do compositor português António Chagas Rosa e o libreto será do escritor e erudito holandês Gerrist Komrij que retratará a estada de Damião de Goes em Antuérpia à frente da feitoria portuguesa, enquanto a encenação será da responsabilidade de Gurit Timmers. Será mesmo esta a obra emblemática da Casa da Música, instituição criada no âmbito do Porto 2001. Apetrechada com um grande auditório com 1500 lugares para concertos de orquestra e de um pequeno auditório móvel de 350 lugares.

António Jorge Pacheco, dirigente da Casa da Música, respondeu a três perguntas do Jornal D’Alenquer:

Porquê Damião de Goes?
Como se sabe, a cidade do Porto foi escolhida juntamente com a capital holandesa, Roterdão, para serem as capitais europeias da cultura do próximo ano. A figura de Damião de Goes foi escolhida pelos dirigentes holandeses devido a este ter vivido 6 meses na cidade de Freiburg, na casa daquele que é uma das maiores figuras históricas da Holanda, ou seja Erasmo de Roterdão. E por serem ambos bastante conhecidos em ambos os países, daí serem ambos escolhidos.

Que actividades se vão realizar sobre Damião de Goes?
Iremos realizar uma ópera baseada nos dois dramaturgos. Esperamos, e tudo temos estado a fazer para que seja algo bastante grandioso. A encenação está a cargo de um senhor holandês de nome Gurit Timmers, que ocupa o cargo de Director do Teatro Individual de Roterdão. O espectáculo será apresentado primeiro em Roterdão durante o mês de Dezembro deste ano e no Porto só em 2001.

Conhece Alenquer?
Só conheço Alenquer de passagem. Sobre Damião de Goes, e relacioná-lo com Alenquer, só sei que tem um auditório com o seu nome.

Por sua vez o compositor António Chagas Rosa disse ao Jornal D’Alenquer: O que sei sobre Damião de Goes vem através de uma razoável bibliografia, da qual sublinho os seguintes títulos: “Damião de Goes: The life and thought of a Portuguese Humanist, 1502 – 1574” de Elizabeth Feist Hirsch; “Ao Reencontro de Clio e de Polimia”, de Amadeu Torres; “A Sala das Perguntas” de Fernando Campos; outros estudos bibliográficos forneceram-me também informação preciosa. Estou neste momento a ler a “Crónica d’El – Rey Dom Emanuel”, sendo esta a primeira obra de Damião de Goes que estudo em directo. Adquiri também a “Antologia de Polifonia Portuguesa” editada pela Fundação Calouste Gulbenkian em 1982 que contém as poucas composições musicais de Goes que chegaram até nós.

É esta a base do meu trabalho que, como sabe, é a composição de uma ópera de câmara cujo libreto foi escrito pelo escritor e erudito holandês Sr.Gerrist Komrij, o qual fez uma recriação poética livre dos factos históricos que condicionavam a ascensão e queda do grande humanista português.

QUATRO TRABALHOS, UMA SÓ REPORTAGEM
À glória de um autor tão internacional como Damião de Goes
Damião de Goes em Lovaina

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O Representante de Damião de Goes

À glória de um autor tão internacional como Damião de Goes

 

Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2000)

diretor do Jornal D’Alenquer

in Jornal D’Alenquer, 1 de Fevereiro de 2000, p. 16 a 18

 

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