Amadeu Torres, justa homenagem: Medalha de Mérito Municipal

Amadeu Torres, justa homenagem: Medalha de Mérito Municipal

01/05/2005 0 Por hernani

Amadeu Torres, justa homenagem: Medalha de Mérito Municipal

Com a dignidade possível fez-se justiça a uma personalidade que muito contribuiu para a divulgação de Alenquer e de um dos seus filhos

Amadeu TorresAs palavras de hoje são dedicadas à atribuição, pela Câmara de Alenquer, da Medalha de Mérito Municipal ao senhor Prof. Doutor Amadeu Rodrigues Torres. Tudo começou quando o Centro de Estudos Humanísticos da Faculdade de Filosofia de Braga, entendeu homenagear Amadeu Torres, pela passagem do seu octogésimo aniversário, com a organização de um colóquio internacional.Julgou por bem o coordenador deste evento convidar-me a participar e a divulgar tal iniciativa; a divulgação nunca esteve em dúvida, mas logo decidi pela não participação, pela minha insuficiência científica face à especificidade dos temas pretendidos; no entanto decidi estar presente no jantar de homenagem que iria realizar-se a 21 de Abril.
Também pensei ser a altura maior para Alenquer pagar a dívida de gratidão que tem para com Amadeu Torres, aquele que mais trabalhou no estudo da vida e obra de Damião de Goes e que mais as divulgou, culminando com a feitura do “Congresso Internacional Damião de Goes na Europa do Renascimento”, em Braga, já lá vão dois anos, a que tive a honra de participar, a convite da Faculdade de Filosofia de Braga; fui o único congressista de Alenquer, e participei com um trabalho intitulado “Alenquer Goesiana”.
Na Sessão de Abertura dessa efeméride inesquecível, Amadeu Torres que considera Damião de Goes “um símbolo eloquente do Portugal de Ourique e das Sete Partidas, e o discípulo português das ltterae humanitores mais cosmopolita e plurivocamente empático na complexa mundivivência do Renascimento”, apresentou várias razões para a existência daquela reunião magna de cientista goesianos de todo o mundo, sendo a primeira a de ser “uma razão de imperativo e de desagravo sócio-cultural a Damião de Goes, (…) que teve de esperar cinco séculos por uma homenagem oficial…”.
Como entendo que as dívidas devam ser pagas em vida dos credores, a 23 de Março de 2005, em reunião de Câmara, informei a existência daquela homenagem e apresentei a sugestão para a atribuição da Medalha de Mérito Municipal a Amadeu Torres, legitimando essa minha intenção com o trabalho por si desenvolvido em prol da divulgação da vida e obra de Damião de Goes, e que essa entrega fosse feita em plena festa de homenagem; tudo sustentado numa carta entregue ao senhor presidente da Câmara.
Este, logo disse que iria analisar a proposta. Entretanto Nandin de Carvalho, vereador, pediu que ele abreviasse as etapas, para que a proposta, a ser aprovada, pudesse ser ratificada, em tempo útil, pela Assembleia Municipal. Logo aí Álvaro Pedro entendeu por bem inclui-la na agenda de trabalhos daquela reunião; foi o primeiro ponto a ser discutido, tendo sido aprovada por unanimidade.
Como o vereador José Catarino dissesse ser importante conhecer algum trabalho do homenageado, por solicitação do senhor presidente da Câmara logo ali entreguei, a cada membro daquela reunião, toda a informação que tinha de Amadeu Torres: biográfica e bibliografia.
Ao terem conhecimento deste facto, e face a não me ter inscrito para os trabalhos do colóquio, o senhor director da Faculdade de Filosofia de Braga entendeu por bem convidar-me a estar presente na Sessão de Abertura do aludido evento e, também, a Comissão Organizadora convidou-me para o jantar de homenagem. Comuniquei este caso ao vereador da cultura, e em coordenação com ele, agendei com a organização do colóquio a nossa ida a Braga, informando-a de que seria o senhor Luís Rema o representante da Câmara ali a deslocar-se para entregar tal condecoração.
Entretanto, em Braga, terminado o jantar de homenagem a Amadeu Torres e no regresso ao hotel, fui informado de que a proposta tinha sido aprovada pela Assembleia Municipal, com 28 votos a favor e um voto em branco; tudo legitimado, então, para se poder fazer a entrega da condecoração, o que aconteceu no dia seguinte.
Por dificuldades de agenda de Luís Rema, pois tinha um compromisso, nessa noite, na Biblioteca de Alenquer, a condecoração não pode ser entregue na Sessão de Encerramento, como era pretensão da organização do colóquio, mas sim na segunda sessão plenária do dia, conforme é noticiado numa peça à parte, aqui no Jornal D’Alenquer. Com a dignidade possível, assim se fez justiça a uma personalidade que muito contribuiu para a divulgação de Alenquer e de um dos seus filhos.
À margem deste registo, é confrangedor verificar que tanto na Assembleia Municipal como no discurso de entrega da medalha, nunca se fez referência que ela era atribuída porque alguém o tinha sugerido à Câmara; o que foi dito foi que isso aconteceu “por iniciativa do senhor presidente da Câmara”.
Não faço juízos de intenções mas estou curioso para saber como está redigida a acta da reunião de Câmara de 23 de Março de 2005 (as actas normalmente estão com um atraso de dois/três meses), e qual vai ser a postura dos vereadores quando forem confrontados com a sua leitura para aprovação, caso ela não relate, com fidelidade, os factos referidos à atribuição desta medalha.
Interessante também a postura de alguns deputados municipais que agora dizem, que no acto da votação da proposta da câmara, “tiveram para intervir” ao verificarem a ausência de qualquer alusão à origem da iniciativa, visto terem conhecimento de como tudo se tinha passado; pois é, mas não intervieram.
Não menos interessante o facto doutros deputados, ao darem pela ausência na reunião de Luís Rema e ao saberem que ele estava em Braga para fazer a entrega da medalha, provavelmente à procura de algum “caso político” e antes da votação telefonaram a saber se a medalha já tinha sido entregue…
As minhas últimas palavras vão para os eleitos autárquicos da oposição. Caros vereadores e deputados: infelizmente há tantos motivos para a vossa intervenção política que não há necessidade de se agarrarem a divertimentos, que só servem para os distraiam do que é importante; e uma das acções importantíssimas é que denunciem as inexactidões e as lacunas existentes nos relatos dos factos, tanto em reuniões de Câmara e da Assembleia Municipal, como na leitura, para aprovação, das suas actas. Assim, de certo modo, contribuirão para uma melhor veridicidade da História do Município.

Hernâni de Lemos Figueiredo

in Jornal D’Alenquer de 1 de Maio de 2005. p. 3

©Hernâni de Lemos Figueiredo (2005)

Director do Jornal D’Alenquer

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