CODIV-19: o cansaço de um vírus imaginativo

CODIV-19: o cansaço de um vírus imaginativo

02/04/2020 0 Por hernani

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CODIV-19: o cansaço de um vírus imaginativo

Eu tenho refletido muito nestes dias. Entendo procurar um sentido, porque deve haver um sentido em toda esta situação absurda que somos forçados a viver.

Imaginei: se o vírus pudesse falar, imaginei o que nos diria através de uma carta, se pudesse fazê-lo. Estas são as palavras que consegui colocar no papel:

Olá, sou a COVID-19. Muitos de vocês me conhecerão simplesmente como CORONA VIRUS. Sou um vírus. Desculpem-me pela chegada repentina, mas não tenho que informar quando chego ou de que forma. Forço a apresentação, porque estou aqui. Bem, digamos que estou aqui porque estava cansado de vos ver regredir em vez de evoluir.

Estava cansado por os ver a arruinarem-se continuamente com as próprias mãos. Estava cansado de ver como tratam o Planeta. Estava cansado de ver como vocês se relacionam. Estava cansado dos abusos, da violência, das guerras, dos conflitos interpessoais, dos preconceitos.

Eu estava cansado da vossa inveja social, da vossa ganância, da vossa hipocrisia, do vosso egoísmo. Estava cansado do pouco tempo que dedicam a vocês mesmos, às vossas famílias. Estava cansado da pouca atenção que vocês dão aos vossos filhos.

Eu estava cansado da superficialidade. Estava cansado da importância que vocês costumam dar às coisa supérfluas à custa de coisas essenciais. Estava cansado da busca continua obsessiva do vestido mais bonito, do mais recente modelo de smartphone, do carro mais bonito, apenas para mostrar.

Eu estava cansado das vossas traições. Estava cansado das vossas informações erradas. Estava cansado do pouco tempo que vocês passam a comunicar.

Eu estava cansado das queixas constantes quanto nada fazem para melhorar as vossas vidas. Estava cansado por os ver discutir por razões fúteis. Estava cansado das brigas constantes entre aqueles que governam e das escolhas erradas frequentemente feitas por aqueles que vos representam. Estava cansado de ver pessoas a matar e a insultar por um jogo de futebol.

Eu sei, estou a ser duro com vocês, talvez de mais, mas não olho a ninguém, eu sou um vírus. A minha ação custará vidas, mas quero que entendam, e de uma vez por todas, que precisam de mudar de rumo, para o vosso próprio bem.

A mensagem que quero passar é simples: queria destacar todos os limites da sociedade em que vocês vivem, para poder eliminá-los. Queria parar tudo, de propósito, para que entendam que a única coisa importante  para a qual terão que direcionar todas as vossas energias a partir de agora é simplesmente uma: a vida, a vossa e a dos vossos filhos, e ao que é realmente necessário proteger, cuidar e compartilhar.

Eu queria-os trancados, isolados o máximo tempo possível, nas casas, longe dos vossos pais, avós, filhos ou netos, para que entendam o quão importante é um abraço, o contacto humano, o diálogo ou o aperto de mão, uma noite com amigos, uma caminhada pelo centro da cidade, um jantar em algum restaurante ou uma corrida no parque ao ar livre. Vocês são todos iguais, não façam distinção entre vocês.

Eu mostrei que as distâncias não existem. Viajei quilómetros e quilómetros num curto espaço de tempo e sem vocês terem notado. Estou de passagem, mas os sentimentos de proximidade e colaboração que criei entre vocês em pouco tempo, terão que durar para sempre.

Vivam a vida da maneira mais simples possível. Caminhem devagar, respirem profundamente. Façam o bem, porque o bem voltará e a vida terá mais interesse. Desfrutem da Natureza.

Quando vocês festejarem eu terei acabado de ir embora. Mas lembrem-se: não sejam pessoas melhores apenas na minha presença.

Adeus.

Assinado: Corona Vírus

OBSERVAÇÕES:

A Quarentena voluntária deu para estas coisas: este texto é uma transcrição que fiz de um vídeo que se inicia com a informação “O autor é tão boa pessoa que em momento algum pensou em assinar este texto”. É uma montagem áudio/vídeo, de 22/3/2020, assinada por Danilo Calabrese, um Italiano de Aquila, Cassino, Lácio, e partilhada por outro Italiano, Fabrizio Steri, este de Sant’Antioco, Sardenha. (Já existe esta montagem em Português). Em simples mas sentida homenagem ao martirizado povo Italiano, disponibilizo aqui o link para a visualização do video original.

O título do texto é uma liberdade minha.

Danilo Calabrese, Aquila, Cassino, Lácio, Itália.

https://www.facebook.com/danilo.calabrese.98

Fabrizio Steri, Sant’Antioco, Sardenha, Itália.

https://www.facebook.com/fasteri

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Espero que a sua leitura tenha sido do seu agrado.

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