João Mário foi homenageado

João Mário foi homenageado

20/01/2019 0 Por hernani

 

 

Mestre João Mário foi homenageado

O ato decorreu a anteceder o almoço do 92.º Aniversário do Sporting Clube de Alenquer

João Mário Ayres d’Oliveira foi hoje, 20 de Janeiro de 2019, homenageado antes do jantar do 92.º Aniversário do Sporting Clube de Alenquer. No hall de entrada da sede social, na presença de José Leitão Lourenço, presidente da Assembleia Geral e de Júlio Rocha, presidente da Direção, Mestre João Mário foi convidado a destapar uma placa com a indicação desta homenagem. (JOÃO MÁRIO AYRES D’OLIVEIRA. DIRIGENTE EXEMPLAR. HOMENAGEM DA DIRECÇÃO DE 2018-2020).

Mais uma homenagem a João Mário, poderíamos dizê-lo; mas não é bem assim, e cada uma tem o seu significado. Temos o registo de algumas, e muito especial a que foi dedicada em 1971, quando foi homenageado por uma comissão, promovida por diversas coletividades e força vivas do concelho, onde estavam incluídos, entre outros, o seu sucessor na presidência da Câmara Municipal de Alenquer. Se esta homenagem poderia levianamente ser entendida como “encomenda”, ou coisa parecida, pelo facto de ser o presidente da Câmara, depois de 1974 essa leitura já era despropositada; e muitas outras homenagens lhe fizeram depois dessa altura.

E porquê? Em primeiro lugar, porque a população não se esqueceu do seu trabalho enquanto autarca, concretamente com a instalação do primeiro sistema de saneamento básico na vila de Alenquer e, também, do início da eletrificação do concelho.

Em segundo lugar, pelo seu desempenho após as Cheias de 1967, que causaram a morte a 62 pessoas em todo o concelho, e pelo seu empenho em resolver, ou melhor, em minimizar os prejuízos materiais que a população foi vítima; exemplo que despoletou uma onda de solidariedade popular que culminou com a instalação do monumental presépio, que é hoje o orgulho de todos os Alenquerenses.

Em terceiro lugar, por ser um credenciado artista plástico, reconhecido internacionalmente, e que muito prestígio tem granjeado para Alenquer. Também, aqui em Alenquer, as pessoas reconhecem a sua dedicação à vila e a sua sensibilidade artística, bem espelhada no programa que fez de cores em que as casas, tanto de um lado como do outro do rio, tinham de ser pintadas de branco, com barras azuis ou amarelas. Não se podia pintar da cor que se quisesse; não se podia colocar terraços no lugar dos telhados, etc., etc. Estava perfeitamente preservado. Na margem do rio, para o lado de Triana, já não era tão rígido, porque se considerou que do outro lado era a zona histórica e nem pensar em mudar alguma coisa que não estivesse previsto. Era o trabalho de um organismo chamado Comissão Municipal de Arte e Arqueologia, extinta com o 25 de Abril.

Em quarto, e último, o ser uma pessoa empenhadamente envolvida no meio associativo, seja ele desportivo, recreativo ou social. Ele mesmo o confirmou hoje: “tenho 86 anos de idade, mas tenho 304 anos de ocupações sociais em toda a minha vida”.

O porquê desta dedicação à causa popular, poderemos questionar; João Mário também respondeu: “numa parede do meu atelier de trabalho tenho lá uma frase minha: “Um dos deveres do cidadão do mundo é cumprir todas as missões que lhe são confiadas. E foi isto que eu fiz; CUMPRIR. Aqui estive 17 anos como diretor, 9 dos quais como presidente”.

João Mário aproveitou a “onda” de recordações: “De facto, passei aqui bons tempos e maus também. Mas, felizmente, muito mais épocas altas do que baixas”.

Mas, a verdade é que os “maus tempos” são mais marcantes, e foi essa mancha inesquecível de 1967 que lhe veio à memória: “Depois houve as inundações e este edifício ficou praticamente muito danificado. Entendeu-se então comprar a sede, mas não foi coisa fácil”.

Esta coisa de apresentar números com rigor torna-se complicado, e João Mário para não falhar “sacou” uma “cabulazinha” de um bolso. E prosseguiu, mais confiante: “a compra ocorreu em 17 de Agosto de 1968, mas como a obra demorou algum tempo, a inauguração só aconteceu a 3 de Junho de 1972”.

Agora, sem a ajuda estatística, as boas recordações sobrepuseram-se no seu discurso: “Viveram-se aqui momentos extraordinários, como não se voltarão a viver agora, pois o associativismo está de rastos. E isso, se calhar, tem a ver com o nível cultural do país. Pois na altura não havia internet e televisão, e os clubes recreativos eram o local de reunião das pessoas”.

E continuou: Aqui se representaram peças inolvidáveis de teatro. Aqui se fizeram jogos florais que reuniu o país inteiro, de norte a sul. Aqui se fizeram campeonatos de gincanas aonde chegavam concorrentes do Algarve ou de Viana do Castelo; lembro-me bem. Havia conferências e concertos. Enfim, acontecimentos muito nobres que hoje já não se conseguem, porque o público não comparece”.

E a homenagem a João Mário estava a chegar ao seu término, mas o Alenquerense teimosamente continuou com a sua costumada humildade: “Fico contento por o meu nome ficar ligado perpetuamente ao Sporting Clube de Alenquer, mas não considero isto uma homenagem”. Hoje sinto-me muito feliz, por ver aqui alguns amigos que não via há muitos anos, e que não esperava; e alguns deles vierem de muito longe”. Aqui, estava a referir-se a João Trindade, que veio de Setúbal; o sócio do Sporting Clube de Alenquer ali presente com mais antiguidade.

Mesmo a terminar, o “cidadão do mundo” João Mário convidou os presentes a apressarem-se para o Almoço de Aniversário.

GRANDE ENTREVISTA A JOÃO MÁRIO

Hernâni de Lemos Figueiredo
©Hernâni de Lemos Figueiredo (2019)

Progamador Cultural

hernani.figueiredo@sapo.pt

965 523 785

 

 

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